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Santa Edith Stein, mártir de amor – 9 de Agosto

Santa Edith Stein nasceu em Breslau, Alemanha, (hoje Broklaw, Polônia) em 12 de outubro de 1891. Ela foi a última de 11 irmãos de uma família judia devota. Passou por um profundo processo de conversão ao catolicismo. Ela morreu em uma câmara de gás em Auschwitz em 9 de agosto de 1942.

SANTO DO DIA – 09 DE AGOSTO – SANTA EDITH STEIN (TEREZA BENEDITA DA CRUZ)

Carmelita (1891-1942)

Edith Stein nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma próspera família de judeus. Aos 2 anos, ficou órfã do pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a educaram dentro da religião judaica.

Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedera esse título a 12 mulheres até a última metade do século XX.

Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d’Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.

Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.

Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.

A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.

Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros 242 judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a ‘freira alemã’, como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento e o dos demais.

No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.

A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein ‘co-Padroeira da Europa’, junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena.

Fonte: Paulinas

Leia também: Heroísmo e sacrifício: a história católica de Auschwitz

Edith Stein, mártir: feliz união da hebraicidade com a santidade cristã

Santa Teresa Benedita da Cruz: esse é nome com o qual findou sua vida para entrar no Paraíso. Chamava-se, antes de ingressar na vida religiosa, Edith Theresa Hedwing Stein, sendo a última de uma série de onze irmãos gerados por Siegfried e Augusta Stein, judeus residentes na Silésia alemã.

A família de Edith

Sua família radicou-se em Breslau em 1890, e em 12 de outubro do ano seguinte Edith viria ao mundo. Seu pai era um comerciante de madeira, profundamente religioso e respeitador das tradições israelitas; sua mãe considerava um sinal de predileção do Senhor o fato de Edith ter nascido quando se comemorava a festividade da Expiação, dia de penitência conforme os preceitos judaicos.

Ainda sem completar os dois anos Edit ficou órfã de pai, mas sua mãe, mesmo enfrentando a súbita pobreza que se abateu sobre a família, conseguiu assumir os negócios do marido, obtendo uma suficiente recuperação econômica para manter a família. Assim pôde encorajar os filhos a trilhar os caminhos do conhecimento e então se prepararem para a vida.de predileção do Senhor o fato de Edith ter nascido quando se comemorava a festividade da Expiação, dia de penitência conforme os preceitos judaicos.

Os estudos e a religião

Nos estudos, Edith manifestou especial inclinação para a história e os idiomas. Aprendeu a falar corretamente francês, inglês e espanhol, além de ler latim, grego e hebraico (e também, pouco antes de partir para a eternidade, começou a aprender holandês). Chegando aos estudos superiores matriculou-se nos cursos de história e filologia, o que lhe despertou o interesse pela psicologia experimental, ponte para chegar à filosofia. Os problemas sociais foram estímulo para que Edith defendesse os direitos das mulheres e dos grevistas.

Quanto à religião, Edith era indiferente, tendo se tornado atéia, confessando que aos vinte e um anos não conseguia crer na existência de Deus. Apesar disso ia com a mãe à sinagoga, por delicadeza e não por devoção. Por vezes acompanhava uma amiga a um culto protestante.

Filosofia, o amor à sabedoria

O interesse pela filosofia levou-a a conhecer Edmund Husserl, o grande pensador fenomenologista de quem se tornou aluna, e depois assistente e secretária particular. Não fosse a ascensão do nazismo, Husserl teria sido sucedido por Edith na Universidade de Friburgo.

O método de raciocínio da fenomenologia muito agradava a Edith, e a leitura de escritos de Santa Teresa de Ávila foi um caminho para ela chegar à Igreja Católica. Porém quando leu um livro cujo título era “A vida de Santa Teresa contada por ela mesma” (que retirou por acaso da estante da casa onde estava hospedada no verão de 1921), sentiu-se identificada com o catolicismo. Leu-o de uma só vez, e concluiu: “é a verdade”. Essa leitura fora feita durante a noite, e na manhã seguinte, com o auxílio de um missal e de um catecismo, começou sozinha a se instruir nas verdades da religião católica.

Pelo batismo Edith passa a fazer parte da Igreja Católica

A catequese de Edith foi feita de forma autodidática, e quando se julgou suficientemente instruída foi a uma igreja assistir à Missa. Ao fim, tendo esperado o celebrante (Pe. Eugenio Breitlig, vigário) concluir a ação de graças, após uma breve conversa pediu-lhe o batismo. O surpreso sacerdote disse-lhe ser necessário um catecumenato, e perguntou-lhe quanto tempo já tinha de instrução e quem lha dera, mas Edith humildemente pediu-lhe que a examinasse para ver se detinha suficientes conhecimentos. Na longa conversa que se seguiu o presbítero admirou-se pela ação da Graça sobre aquela alma, e o batismo foi marcado para o primeiro dia de janeiro seguinte, tendo ela recebido os nomes de Teresa e Edwiges (evidente alusão a Santa Teresa, sua mestra e modelo, e a Santa Edwiges, sua conterrânea da Silésia, e também nome da senhora que se tornava sua madrinha naquele momento). Batizada, Edith fez a primeira comunhão, tornando-se a Eucaristia o seu pão de cada dia. A crisma foi-lhe ministrada pelo bispo de Spira, na festa da Purificação (que ocorreu pouco depois).

Para cumprir uma dolorosa obrigação Edith viajou à sua cidade natal, e sem rodeios ajoelhou-se junto à mãe para dizer de forma doce e firme: “mamãe, tornei-me católica”. As lágrimas de dona Augusta pouco depois se seguiram das que gotejaram dos olhos de Edith: a encruzilhada estava definida, e um profundo fosso as separava. Nunca mais a mãe respondeu às carinhosas cartas da filha, limitando-se certa vez a escrever lacônicas palavras em um bilhete.

Descobre a vocação para a vida religiosa

Continuando as leituras filosóficas, Edith chegou a São Tomás de Aquino e a São João da Cruz, o que lhe preparou a entrada para o Carmelo (religiosas carmelitas descalças). Em 15 de abril de 1934 passou a ser a Irmã Teresa Benedita da Cruz o.c.d., e em 21 de abril do ano seguinte proferiu os votos perpétuos. Por permissão superior continuou a escrever obras de caráter filosófico durante sua vida como religiosa. Edith então voltou as costas ao seu futuro, ao mundo cheio de amigos e admiradores, à família, e ingressou na solidão da vida religiosa contemplativa, escondida e sem exterioridades. As dificuldades quotidianas – não sabia costurar, por exemplo, e se embaraçava com a maior parte dos trabalhos manuais – eram enfrentadas com resolução e bom humor.

A ascensão de Hitler fez com que Edith, não ariana e com pensamento contrário ao que grassava na Alemanha, se mudasse para a Holanda, mas a expansão do poderio totalitário chegou até esse país. Antes que se concluíssem os trâmites legais para a transferência de Edith para a Suíça, foi ela presa com sua irmã Rosa (também convertida), sendo ambas deportadas para a Polônia, ação motivada contra os judeus católicos pelas atitudes antinazistas das autoridades do clero holandês. Mesmo nos confinamentos dos deportados nos quais foi ela inserida, e também nos vagões dos trens que a levaram para Auschwitz (Polônia), portou Edith o hábito de sua família religiosa, mantendo-se serena e confiante em Deus, exercendo forte ação de presença junto aos demais deportados e consolando-os em meio às aflições. Nos bilhetes que remeteu a partir dos locais onde esteve presa ressaltava que estava rezando, admitindo estar “contente com tudo”. Ofereceu-se em sacrifício pela conversão de seu povo, sendo com sua irmã Rosa morta em uma câmara de gás em 9 de agosto de 1942.

Irmã Teresa Benedita da Cruz foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1 de maio de 1987, por ocasião de uma viagem desse Pontífice a Colônia, na Alemanha. O mesmo Papa a canonizou em 11 de outubro de 1998, o que foi motivo de grande alegria para toda a família carmelitana.

 Fonte: Edith Stein (Elisabeth de Miribel, Editora Santuário, 2001)

Conheça mais sobre Santa Edith Stein

Depois de procurar em vão a Verdade nos livros e nos raciocínios filosóficos, ela a encontrou na história palpitante de amor de Santa Teresa de Ávila.

Quem foi Edith Stein?

Edith Stein, a caçula de uma numerosa família hebraica, nasceu em 12 de outubro de 1891 em Breslau, Alemanha. Antes de completar dois anos ficou órfã de pai. A pequena Edith era de temperamento forte, vivaz e independente. Ademais, demonstrava uma inteligência muito precoce, que lhe proporcionou o primeiro lugar da classe durante toda a sua vida escolar. Crescendo numa família praticante da religião judaica, ela acreditava em Deus e a Ele dirigia suas preces.

Jovem filósofa à procura da Verdade

Porém, ao atingir a adolescência, perdeu a fé na existência de Deus, parou de rezar e abandonou os estudos. Ela própria relatou mais tarde: “Com plena consciência e por livre decisão, deixei de rezar. Meus anseios de conhecer a Verdade eram minha única oração.”

Aos 14 anos, decidiu retomar os estudos colegiais, para ingressar na universidade. E em 1911 matriculou-se, não em um, mas em três cursos: Filosofia, Língua Alemã e História. Naquela época era pouco comum uma mulher cursar a universidade, menos ainda ver uma jovem de 20 anos seguir três cursos ao mesmo tempo!

Todas as preferências de Edith eram para a Filosofia. Assim, mudou-se em 1913 para Göttingen a fim de assistir às aulas de Edmund Husserl, considerado o mais importante filósofo alemão da época.

Essa jovem estudante parecia haver sucumbido de todo na crise da fé, pois até já se declarava atéia. Mas, por paradoxal que pareça, ela continuava como uma incansável peregrina à procura da Verdade.

Descobre a oração do Pai-Nosso

E a Divina Providência, por seu lado, a guiava por caminhos misteriosos cada vez para mais perto de Deus, a Verdade Absoluta.

Afinal, Deus, o que é? Essa Verdade última, pela qual pautei minha vida, em que consiste? Qual o sentido do sofrimento? Como se explica o mal? Questões como essas povoavam a mente inquieta de Edith. Anos depois ela afirmou: “O estudo da filosofia é um contínuo caminhar à beira do abismo”. E acrescentou: “Eu vivia no ingênuo auto-engano de que tudo em mim estava correto, como é freqüente em pessoas sem fé, que vivem num tenso idealismo ético”.

Encontrava-se ela nessa situação interior quando, por volta de 1914, fez uma análise do Pai-Nosso, não do ponto de vista religioso, mas estudando a etimologia alemã. Ficou muito impressionada com essa oração, e a repassou várias vezes.

Nessa mesma época, Edith travou conhecimento com Adolf Reinach, judeu e discípulo de Husserl, como ela. Também ele buscava a Verdade com fervor e probidade. Logo se formou entre ambos uma sincera amizade, da qual participava também sua esposa Anna. Ora, o casal Reinach estava, por assim dizer, nas vésperas de sua conversão ao Catolicismo, e isso teria em breve uma especial repercussão sobre Edith.

Enfermeira voluntária

Nesse ano de 1914, as atividades intelectuais na Alemanha sofreram um forte abalo com o início da Primeira Guerra Mundial. Edith voltou para Breslau e alistou-se como enfermeira voluntária. “Agora não tenho vida própria – todas as minhas forças pertencem a esse grande acontecimento. Quando a guerra terminar, e se eu ainda continuar viva, poderei pensar em meus assuntos privados.” Fez um curso de Enfermagem e foi destacada para ser vir num hospital militar, onde, além de prestar assistência na sala de cirurgias, ficou encarregada dos doentes de tifo. Por sua disponibilidade em serviço e sua dedicação aos enfermos, especialmente os moribundos, recebeu a medalha de honra da Cruz Vermelha.

Esse hospital foi fechado e ela mudou-se para Friburgo, onde fez o curso de doutorado em Filosofia, obtendo aprovação summa cum laude (máxima com louvor).

A força do exemplo

Pouco tempo depois, a Providência lhe pôs diante dos olhos dois episódios que, como flashes fotográficos, iluminaram a alma dessa jovem doutora a caminho da conversão.

Certo dia, visitando a Catedral de Friburgo com objetivo meramente turístico, ela viu entrar uma mulher com sua cesta de compras e ajoelhar-se para fazer uma breve oração.”Isso era algo completamente novo par a mim, pois eu só entrava em sinagogas e em igrejas protestantes p ara o culto religioso comunitário. Ali , em contra partida, estava alguém que acudia a uma igreja vazia em meio às ocupações diárias, como que para um diálogo confidencial com Deus . Disso nunca me esqueci” – relatou ela.

A outra cena deu-se na casa de um camponês católico onde ela se hospedara durante um passeio. Causou-lhe profunda impressão ver esse pai de família fazer pela manhã uma oração com os seus empregados, antes de irem para os trabalhos do campo.

Enfim, a conversão

Adolf Reinach – o amigo de Edith que, como ela, estava à busca da Verdade – faleceu em 1917. Visitando a viúva, Anna Reinach, surpreendeu-se ao vê-la cheia de paz e serenidade, com mais esperança que sofrimento! Ficou atônita e, ao mesmo tempo, maravilhada quando esta lhe comunicou sua conversão e lhe explicou o papel da Cruz de Cristo. “Esse foi o meu primeiro encontro com a Cruz e com a força divina que ela transmite aos que a carregam. Foi o momento em que a minha descrença desmoronou” – confidenciou mais tarde.

Por volta de 1918, Edith leu os Exercícios Es pirituais de Santo Inácio de Loyola, por mero interesse acadêmico. Entretanto, ao perceber a densa espiritualidade contida nessa obra, fez os trinta dias de meditações, no fim dos quais desejou ardentemente se tornar católica. Todavia, precisou vencer ainda algumas batalhas interiores antes de chegar à conversão definitiva.

Esta chegou no verão de 1921. Edith foi convidada a passar algumas semanas na casa de campo de uma amiga em Bergzabern, perto de Spira. Certo dia, estando só na casa, apanhou ao acaso um livro na estante. Deus lhe punha nas mãos a “Vida de Santa Teresa de Ávila, escrita por ela mesma”. “Comecei a ler e fiquei tão arrebatada que não consegui parar até terminá-lo. Quando o fechei, disse comigo mesma: ‘Esta é a Verdade!’”

Depois de procurar em vão a Verdade nos livros e nos raciocínios filosóficos, ela a encontrou na história palpitante de amor da grande mística reformadora do Carmelo, cujo exemplo perfumava ainda as almas, cinco séculos após sua morte.

No dia seguinte, ela comprou o Catecismo e o Missal e, depois de estudar meticulosamente o conteúdo desses livros, foi pela primeira vez assistir a uma Missa, após a qual procurou o Pároco e pediu o Batismo, que lhe foi conferido poucos meses depois, no dia 1º de janeiro de 1922.

Professora apostólica

Não foi por mero acaso que a Virgem Maria pôs nas mãos dessa alma de escol a autobiografia da grande Santa Teresa. Já no dia de sua conversão ela sentiu-se de tal forma chamada à vida contemplativa na Ordem do Carmo que logo relegou todas as ambições mundanas e passou a levar uma vida de carmelita, tanto quanto lhe permitiam as circunstâncias.

Entretanto, seu diretor espiritual, Mons. Canon Schwind, julgou mais proveitoso para a Igreja que ela empregasse seus talentos no apostolado leigo, e convidou-a a lecionar Alemão e História no Instituto de Educação de Santa Maria Madalena, em Spira. Ela fez então in pectore os votos de pobreza, obediência e castidade e tornou- se professora. A Fräulein Doktor (Senhorita Doutora), como ficou conhecida, expressava-se com perfeição em seis idiomas. Conhecia e traduzia com facilidade as obras de São Tomás de Aquino.

No entanto, mais do que lecionar, ela se empenhava em “ajudar as alunas a moldar a vida no espírito de Cristo”. E, persuadida de que “Frei Exemplo é o melhor pregador”, fazia seu apostolado principalmente através de uma autêntica vida de piedade: passava horas ajoelhada ante Jesus Sacramentado, como se nada mais existisse no mundo, e tinha uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem Maria.

Conferencista e catedrática

Entre 1928 e 1933, por iniciativa de um insigne sacerdote, percorreu a Europa, fazendo conferências sobre o papel da

mulher católica na família e na sociedade, apresentando como modelo Maria, a Virgem Mãe. Em 1932 foi nomeada para a Cátedra de Antropologia no Instituto Alemão de Pedagogia Científica, de Münster. Nessa época, porém, sopravam já os maléficos ventos do nazismo, de modo que pouco tempo depois ela perdeu o posto, devido à sua ascendência judaica.

Uma noviça a caminho da santidade

Se para ela essa demissão arbitrária foi um bem ou um mal, não vem ao caso analisar neste artigo. O fato concreto é que no dia 14 de outubro de 1933 ela ingressou no Carmelo de Colônia. Em abril de 1934, recebeu o hábito carmelitano. Edith Stein estava morta para este mundo, nascia uma nova esposa de Cristo, Irmã Teresa Benedita da Cruz.

Não lhe correu fácil o noviciado, tendo ela já 43 anos, e entre as freiras sua ciência filosófica pouco valia. Ademais, o trabalho manual era parte importante da vida monástica e Irmã Teresa era muito desajeitada… A mestra de noviças não deixava de repreendê-la nas ocasiões oportunas, e ela nunca se mostrou ressentida. Pelo contrário, sabia que esses pequenos sacrifícios faziam parte de sua caminhada rumo à santificação, e aceitava tudo com serenidade.

O falecimento de sua mãe, em 1936, deixou sua irmã Rosa livre para receber o Batismo, que desejava ardentemente, e ser acolhida como terciária carmelita no mesmo mosteiro de Colônia. As duas irmãs permanecerão unidas até a morte.

“Os judeus católicos, nossos piores inimigos”

Na segunda metade da década de 1930, acentuava-se cada dia mais o antagonismo entre o partido nazista e o ensinamento da doutrina católica. O governo encabeçado por Hitler perseguia disfarçadamente a Igreja. Quando, em 1937, o Papa Pio XI condenou de maneira contundente o nacional- socialismo através da Encíclica Mit brennender Sorge (Com ardente preocupação), cresceu a animadversão dos hitleristas: acentuou-se a campanha anticlerical, muitos bispos foram agredidos em público e milhares de fiéis foram deportados para os campos de concentração.

Para evitar que o Carmelo de Colônia corresse perigo por sua presença, Irmã Teresa Benedita pediu transferência para algum convento fora da Alemanha. Antes de ser atendido esse seu pedido, delegados do governo nazista violaram a clausura do mosteiro, à sua procura. À vista disso, ela foi transferida às pressas para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano e meio depois, sua irmã Rosa foi se juntar a ela.

Em julho de 1942, os Bispos holandeses tomaram posição formal contra os nazistas, em defesa dos judeus injustamente perseguidos. O revide do regime nazista não se fez esperar. No dia 2 de agosto, agentes da Gestapo arrancaram do convento as duas irmãs, que foram deportadas para o campo de concentração de Westerbork, norte da Holanda, juntamente com outros 242 judeus católicos. O comissário geral Schmidt, reconheceu de público que essa tirânica medida tinha sido tomada como retaliação à corajosa atitude do Episcopado: “Como o clero católico não se deixa dissuadir por nenhuma negociação, vemo-nos forçados a considerar os judeus católicos como os nossos piores inimigos e, por essa razão, a deportá-los para o Leste o mais depressa possível”.

Parecia uma imagem da “Pietà” sem o Cristo

Compreende-se facilmente o desânimo e mesmo o desespero desses infelizes, arrancados com brutalidade de seus lares e transportados em vagões de carga para um campo de concentração. Irmã Teresa, porém, não se deixou abater. Nos poucos dias em que ali permaneceu, manteve-se galhardamente trajada com seu hábito de carmelita, a todos impressionando pela sua fortaleza de ânimo, serenidade e recolhimento. Todo o tempo em que a “Freira Alemã”, como era chamada, não passava em oração, ela o empregava em consolar os aflitos, confortar as mulheres e cuidar das crianças. Ela era uma “Pietà sem Cristo” – declarou uma testemunha sobrevivente.

Morta por ódio à Fé católica

Em 7 de agosto, os esbirros do governo embarcaram Sor Teresa Benedita e sua irmã Rosa – juntamente com centenas de outros judeus – em um trem rumo ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Uma tétrica viagem de quase três dias, sem água e sem alimentos. Logo na chegada, no dia 9, foram mortas na câmara de gás e em seguida seus corpos foram cremados e as cinzas espalhadas pelos campos.

Edith Stein morreu vítima do odium fidei do regime hitleriano. O Pe. Hopster, SVD, afirma isso claramente: “Após ter ouvido as explicações do comissário Schmidt, pode-se declarar que os religiosos presos nesta ocasião foram mortos em testemunho da Fé. Sua prisão foi efetuada por ódio às palavras de nossos bispos. Eram, pois, os bispos e a Igreja os visados e atingidos com a deportação dos religiosos e católicos de origem judaica”.

Somente em 1947 as carmelitas de Echt e Colônia tiveram notícia segura a respeito da morte de Santa Teresa Benedita da Cruz, e puderam transmiti- la às demais casas da Ordem: “Não mais a procuremos sobre a terra, mas junto de Deus a quem foi agradável o seu sacrifício, fazendo-o frutificar em favor do povo pelo qual rezou, sofreu e morreu”.

A conclusão do livro “A Ciência da Cruz”

Todos os momentos livres de sua vida de carmelita, e também parte da noite, Sor Teresa Benedita os dedicava à redação da obra “A Ciência da Cruz”, que lhe tinha sido encomendada para assinalar o quarto centenário do nascimento de São João da Cruz. Contudo, não logrou terminá-la. Ou melhor, ela a concluiu sim, mas não por escrito: a conclusão se efetivou com a entrega de sua própria vida. Da mesma forma que a Verdade eterna se manifestou ao mundo plenamente num Homem, Jesus, e não escrita num livro.

Dela se pode dizer o que afirmou de si próprio o Apóstolo dos Gentios: combateu o bom combate, recebeu a coroa de glória. Foi canonizada em 1998 e, no ano seguinte, proclamada co-padroeira da Europa, junto com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2005, n. 44, p. 34 à 37)