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Grupo de direitos humanos diz que Papa precisa rever acordo com a China

Segundo um relatório da organização Human Rights Watch, o Partido Comunista Chinês (PCCh) está intensificando sua campanha de pressão sobre católicos que atuam na clandestinidade.

Por ACI Digital – “Uma década depois do início da campanha de sinização de Xi Jinping e quase oito anos desde o acordo de 2018 entre a Santa Sé e a China, os católicos na China enfrentam uma repressão crescente que viola suas liberdades religiosas”, disse Yalkun Uluyol, pesquisador da Human Rights Watch para a China, em relatório divulgado na última quarta-feira (17). “O papa Leão XIV deve revisar urgentemente o acordo e pressionar Pequim para que cesse a perseguição e a intimidação de igrejas clandestinas, clérigos e fiéis”.

A Human Rights Watch disse ter feito entrevistas com “nove pessoas fora do país que tinham conhecimento em primeira mão do catolicismo na China” para seu relatório, as quais disseram que o acordo Santa Sé-China de 2018 “forneceu uma estrutura abrangente para que autoridades pressionem católicos clandestinos”. Os termos do acordo continuam secretos.

Testemunhas citadas no relatório disseram que os católicos na China sentiram que o acordo não lhes deixou “outra escolha senão se juntar à igreja oficial” e que aqueles que permaneceram na igreja clandestina “sentiram-se traídos pela Santa Sé”.

Human Rights Watch falou também sobre a perseguição do governo chinês a bispos e clérigos católicos, citando casos de detenção e desaparecimento forçado, assim como a decisão da China de proibir padres católicos de ensinar ou evangelizar online.

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“Clérigos católicos libertados da prisão continuam sofrendo assédio”, diz o relatório. “Uma pessoa disse em janeiro que um padre que conhecia estava proibido de ter contas bancárias, cartões SIM e passaporte, e, portanto, não tem meios de subsistência e mal consegue se sustentar por um ou dois dias”.

“O acordo e a política da Santa Sé em relação à Igreja Católica na China nos últimos anos têm sido desastrosos”, disse Nina Shea, pesquisadora sênior da organização conservadora Hudson Institute, à EWTN News. “Bispos católicos fiéis são submetidos pelo governo a desaparecimentos, detenções indefinidas sem o devido processo legal, marginalização, mas ‘reconhecimento’, ou ameaças ativas de detenção caso se recusem a jurar fidelidade só ao Partido Comunista Chinês e não a Roma”.

Shea, que é também diretora do Centro para a Liberdade Religiosa do Instituto Hudson, pediu ao papa Leão XIV que lidere uma vigília de oração global por bispos chineses que foram vítimas de desaparecimento forçado ou detidos.

“O papa Bento XVI designou o dia 24 de maio como o Dia Mundial de Oração pela Igreja na China, mas a data foi praticamente esquecida nos últimos anos e nunca foi abraçada de modo enérgico pela Santa Sé, que provavelmente a vê como uma crítica implícita ao PCCh, algo que reluta em fazer”, disse ela.

Por ACI Digital

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