Cardeal Hummes não desiste e diz que ordenação de homens casados será retomada no Vaticano

Após a apresentação da Exortação Apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, ocorrida nesta quarta-feira (13) no Vaticano, o Cardeal brasileiro Claudio Hummes ofereceu algumas declarações à imprensa afirmando que o tema da ordenação de homens casados será retomado junto ao Papa e as instâncias da Santa Sé.

As declarações do purpurado, que também é presidente da REPAM (Rede Eclesial Panamazônica), responsável pela  sondagem que deu origem ao Instrumentum Laboris do Sínodo, documento em que já se vislumbrava o pedido de admissão de homens casados ao sacerdócio, tiveram lugar na apresentação da Exortação Querida Amazônia na sede da CNBB em Brasília, na manhã de hoje, 12, e vão na contramão do que pediu o Papa Francisco no recém lançado documento.

Nos números 89 e 90 do texto que foi apenas divulgado, o Santo Padre não contempla a possibilidade de que homens casados sejam ordenados sacerdotes, antes, pede que os bispos promovam vocações missionárias e enviem sacerdotes para a região panamazônica.

Dom Claudio ofereceu estas declarações no contexto de uma pergunta sobre este pedido do Sínodo que não foi mencionado na Exortação. O Prefeito Emérito do Clero explicou primeiramente que “a questão da eventual ordenação de homens casados, não significa que o clero vai casar, mas, que homens casados em certas circunstâncias, possam ser ordenados padres continuando a viver como casados”.

“Esta questão como todas as outras [do documento final], deverão ser trabalhadas agora junto ao Santo Padre e as instâncias da Santa Sé que tratam desses assuntos”, afirmou Dom Hummes, asseverando que o tema será retomado no Vaticano e que este pedido do Sínodo, contido no numeral 111 do Documento Final, deverá “ser elaborado e eventualmente, com um processo, ir sendo cumprido”.

Neste sentido, disse o Cardeal brasileiro afirmou que será muito importante a atuação de um organismo eclesial a ser criado para a região amazônica. “Assim como existem as conferências (episcopais) nos países, exista lá também, dado que é uma região que inclui vários países, um tipo de organismo que ainda tem, de certa forma, que se formular, ver quais serão as suas competências”, disse.

 

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“Este organismo terá uma função muito importante junto com as instâncias do Papa no Vaticano, para irmos discutindo, e em que caso se poderia, de fato, realizar este pedido do Sínodo. (…) Certamente é este organismo que iria assumir a coordenação e a animação de todo este processo de aplicação do Sínodo”, ressaltou.

Vale recordar que os bispos presentes na assembleia sinodal em Roma, votaram o pedido da criação de um organismo eclesial para a região e que o mesmo não seria uma Conferência Episcopal.

Em outubro de 2019, ainda durante o Sínodo, Dom Walmor Oliveira, atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Arcebispo de Belo Horizonte (MG), disse a ACI Digital:

“Não estamos falando de conferência específica para a Amazônia”, ressaltou na ocasião, explicando que “estamos falando do fortalecimento de instâncias e do comprometimento de instâncias, inclusive novas, para que nós possamos fortalecer nosso caminho e nosso trabalho missionário na Amazônia”.

Dom Cláudio durante a Conferência de imprensa também falou que o Documento Final do Sínodo, não deve “ir para a estante” e que o fato de não ser citado na Exortação não implica que o mesmo deverá ser rechaçado.

“O Papa não cita nenhum para não dizer que este é mais importante ou este deve ser rejeitado”, disse o Cardeal, que foi o Relator Geral do Sínodo Amazônico.

“Ele [o Papa] não fala de nenhum [ponto do documento final] e isso mostra que ele aprecia todos. E, por que ele aprecia? Porque são frutos do sínodo, não são frutos de um pequeno grupo de teólogos, mas é um sínodo que a Igreja ouviu. Tudo aquilo que o Sínodo decidiu ali e aprovou tem igual importância”, completou, sublinhando que “isso será trabalhado, certamente, para que possa atender na medida do necessário esse pedido”, afirma.

Segundo Dom Hummes, a necessidade de insistir sobre o tema da ordenação de homens casados é a preocupação pela celebração da Eucaristia nas comunidades mais remotas da Amazônia.

“A Eucaristia é “o que de fato nos preocupa, em Aparecida em 2007 já se falou disso e cada vez mais se falou dessa questão, depois que o Papa João Paulo II havia dito que a Eucaristia edifica a Igreja, que não pode haver uma Igreja sem Eucaristia. Então, se perguntava: é possível continuar como estamos continuando? É possível continuar assim? Temos o direito de continuar assim, sem tomar nenhuma nova prática ou nova forma de viver o ministério para que também essas comunidades tenham normalmente a Eucaristia e outros sacramentos necessários na vida cotidiana?”.

Nesse sentido, reforçou que “devemos continuar trabalhando com as populações e vendo como é possível construir essa questão para ver como é possível que tenham a Eucaristia e outros sacramentos e trabalhar junto com o Vaticano, com os organismos que tratam desse assunto e, sobretudo, o próprio Papa. É preciso que nós cheguemos juntos a conclusões”.

“Portanto, esse processo vai continuar, certamente, a ser animado e levado para frente”, concluiu.

Fonte: ACI Digital