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Vaticano responde sobre fechamento das igrejas: “não são matéria sobre a qual as autoridades civis possam legislar”

 

Papa aprovou a publicação de uma carta afirmando que nenhuma transmissão se pode equiparar à participação pessoal ou pode substituir a missa.

O Advogado, Taiguara Fernandes de Sousa, publicou nas suas redes sociais a resposta de uma consulta enviada à Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos onde a Igreja confirma a importância das missas presenciais e orienta a retomada dos ritos sagrados. O advogado questionou a validade dos decretos impostos pelo governador da Paraíba e acatados pela Arquidiocese onde classificavam as missas como não essenciais e restringiam o acesso aos sacramentos.

“As normas litúrgicas não são matéria sobre a qual as autoridades civis possam legislar, mas são da exclusiva competência das autoridades eclesiásticas (cf. Sacrosanctum Concilium, 22)”, disse a carta.

Como resposta, foi encaminhada ao advogado uma carta aprovada pelo Papa Francisco que havia sido enviada aos Presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica ainda em setembro de 2020 tratando sobre a necessidade de retomar as missas presenciais e orientando os Bispos a não retirar dos fiéis o acesso aos sacramentos. A carta intitulada “Voltemos com alegria à Eucaristia” foi escrita pelo então Prefeito da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Cardeal Robert Sarah.

Um trecho do documento afirma que “nenhuma transmissão se pode equiparar à participação pessoal ou a pode substituir. Aliás, estas transmissões, por si sós, correm o risco de nos afastarem de um encontro pessoal e íntimo com o Deus incarnado que se entregou a nós não de modo virtual, mas realmente, dizendo: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele’ (Jo 6, 56). Este contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível”.

Assista esta análise promovida pelo Centro Dom Bosco com a presença do autor da carta Taiguara Fernandes, Tiba Camargos e Alvaro Mendes, sobre a a invasão do poder estatal sobre questões espirituais e da complacência de alguns bispos.

Na carta consta a importância dos cuidados que se deve ter com a saúde dos fiéis, mas também evoca a necessidade de comunhão entre os cristãos sem a qual não há igreja. O Cardeal Sarah cita alguns pontos para “meditação” dos Bispos.

  • “Não podemos viver, ser cristãos, realizar em pleno a nossa humanidade e os desejos de bem e de felicidade que o nosso coração acalenta sem a Palavra do Senhor, que na celebração ganha corpo e se torna palavra viva, pronunciada por Deus para quem abre hoje o coração à escuta;
  • Não podemos viver como cristãos sem participar no sacrifício da Cruz em que o Senhor Jesus se dá sem reservas para salvar, com a sua morte, o homem que estava morto por causa do pecado; o Redentor associa a si a humanidade e a reconduz ao Pai; no abraço do Crucifixo encontra luz e conforto todo o humano sofrimento;
  • Não podemos viver sem o banquete da Eucarística, mesa do Senhor à qual somos convidados como filhos e irmãos para receber o próprio Cristo Ressuscitado, presente em corpo, sangue, alma e divindade como Pão do céu que nos sustenta nas alegrias e nas canseiras da peregrinação terrena;
  • Não podemos viver sem a comunidade cristã, a família do Senhor: precisamos de encontrar os irmãos que partilham a filiação de Deus, a fraternidade de Cristo, a vocação e a procura da santidade e da salvação das suas almas na rica diversidade de idades, histórias pessoais, carismas e vocações;
  • Não podemos viver sem a casa do Senhor, que é a nossa casa, sem os lugares santos onde nascemos para a fé, onde descobrimos a presença providente do Senhor e descobrimos o seu abraço misericordioso que levanta quem caiu, onde consagramos a nossa vocação no seguimento religioso ou no matrimónio, onde suplicamos e agradecemos, exultamos e choramos, onde confiamos ao Pai os nossos entes queridos que completaram a sua peregrinação terrena;
  • Não podemos viver sem o dia do Senhor, sem o Domingo que dá luz e sentido ao suceder-se dos dias do trabalho e das responsabilidades familiares e sociais”, escreveu o Cardeal.

Ao comentar sobre o caso, o advogado Taiguara Fernandes se mostrou surpreso pelo fato dos Bispos terem conhecimento da carta desde setembro do ano passado e muitos ainda continuarem seguindo as imposições de governadores contra a fé católica.

Fonte: Estudos Nacionais

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