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Vaticano reconhece virtudes heroicas da menina carioca Odetinha

Avanço no processo de reconhecimento depende da comprovação de pelo menos dois milagres que, caso comprovados pela Igreja Católica, podem a transformar na primeira santa carioca

Serva de Deus Odette Vidal Cardoso, conhecida como Odetinha teve suas virutdes heroicas reconhecidas pela Santa Sé. O papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas da menina que nasceu no Rio de Janeiro, em 1931, e morreu aos oito anos, com fama de santidade. Segundo o arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta, ela se tornou agora “a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade”.

“É uma alegria receber essa notícia” disse dom Orani a Vatican News. O arcebispo contou que Odetinha era “uma menina que rezava, cuidava dos pobres, tinha uma grande preocupação com os necessitados e que deixou belos exemplos”.

Odette Vidal de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 18 de fevereiro de 1931, filha de portugueses emigrados ao Brasil. Sua mãe ficou viúva e se casou novamente com um rico comerciante, que adotou a pequena e a educou na fé católica.

A menina ficou conhecida pelo seu amor à Eucaristia e pela caridade, sendo um testemunho de fé, simplicidade e humildade. Recebeu sua primeira comunhão em 15 de agosto de 1937, no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, em Botafogo. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo.

Dedicada à caridade com os que mais precisavam, gostava de ajudar sua mãe, que fazia uma feijoada aos sábados para os pobres. A menina, então, colocava seu avental e servia a todos alegremente. Rezava o terço diariamente, revelando sua total confiança em Nossa Senhora. Também se queixava pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado.

Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade, tifo, suportada com paciência cristã. Dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres”. Em 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunhão de manhã e, em ação de graças, disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Pouco depois, a menina morreu.

Seu processo de beatificação começou em 2013. No início de 2015, foi encaminhada à Santa Sé a documentação reunida pelo Tribunal Eclesiástico da arquidiocese do Rio, que recebeu parecer favorável pela Congregação da Causa dos Santos, em 2016.

“Pedimos a Deus para que, cada vez mais homens e mulheres, jovens e adultos, adolescentes, crianças e idosos possam se santificar nesta grande cidade. Odetinha é a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade. E nós bendizemos a Deus, que muitos outros sejam reconhecidos na sua caminhada de santidade nesta cidade”, disse dom Orani.

Conheça mais sobre Odette Vidal de Oliveira, a “Odetinha”

Odette Vidal de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 15 de setembro de 1930. Chamada carinhosamente pelos pais de “Odetinha”, lírio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordinário a Jesus Eucarístico, ia à missa com sua mãe. Desde muito pequena, aos quatro anos, já possuía colóquios íntimos com o Senhor Sacramentado.

Tendo se mudado para o bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, fez a sua Primeira comunhão no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, ao lado de sua casa, em 15 de agosto de 1937, aos sete anos de idade. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo.

Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordinária para uma criança tão nova. Inserida de fato na causa de promoção dos mais carentes, gostava muito de ajudá-los com obras concretas de misericórdia, e atividades caritativas semanais (sua mãe fazia uma feijoada aos sábados para os pobres a seu pedido e ela colocava seu avental e servia a todos alegremente). Irradiou e inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes apóstolos da caridade por toda sua vida. Estes colaboraram efetivamente com muitos Institutos de Vida Religiosa, salvando alguns da falência, além do trabalho com as meninas órfãs (um pedido de Odetinha), até hoje administrado por religiosas e voluntários.

Sua piedade explica o segredo de todo o bem que realizou com máxima paciência, admirada por todos até o fim. A modéstia e o pudor foram um grande sinal de uma alma pura e boa, nos divertimentos mais inocentes de sua infância. Amava os lírios e rezava o terço diariamente, revelando, assim, sua confiança total em Nossa Senhora. Queixava-se, ainda, pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado.

Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade – paratifo, suportada com paciência cristã. No leito de dor, dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres (Cf. Ef. 5, 1-2)”. No dia de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 1939, Odetinha recebeu a Sagrada Comunhão às 7h30min e na ação de graças disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Assim, serenamente, às 8h20min entregou sua alma inocente a Deus.

Ele escolhe tantas vezes os pequeninos para tornar mais evidente as maravilhas de sua Graça. “Foi arrebatada para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar ou para que as aparências enganadoras não seduzissem a sua alma”. (Sb. 4,11).

Seu túmulo situa-se na quadra 06, n.º. 850, no Cemitério São João Batista (Botafogo). Até hoje é um dos mais visitados, sobretudo aos sábados e domingos, por inúmeras pessoas que ali acorrem para agradecer benefícios espirituais e temporais que atribuem à sua intercessão junto a Deus. Sua biografia oficial, lançada no ano seguinte de sua morte pelo Padre Afonso Maria Germe, causou grande comoção na sociedade carioca.

Eis como Odetinha rezava seu “Tercinho de amor”: nas contas pequenas – “Meu Jesus eu vos amo!”; nas contas grandes – “Quero passar meu céu fazendo bem à terra”; nas três últimas contas – “Meu Jesus, abençoai-me, santificai-me, enchei o meu coração de vosso amor”.

Com informações de ACI Digital