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Sacramento da Confissão

Sem arrependimento não há perdão dos pecados

O sacramento da Confissão está cada vez mais esquecido entre a geração dos “Católicos de IBGE”, são poucos o que seguem a orientação da Igreja para se confessar com frequência, ou seja, aproximadamente uma vez por mês.

Ainda assim, entre esses poucos que recorrem a este sacramento, há muitos que não o fazem da forma correta, e por isso podem sair do confessionário sem o perdão dos pecados.

São 5 passos para uma boa confissão:

1 – Exame de Consciência
2 – Arrependimento sincero dos pecados cometidos
3 – Propósito de nunca mais pecar
4 – Confissão individual com o sacerdote
5- Satisfação

O segundo passo é imprescindível e sem ele o sacramento da confissão se torna inválido. A pessoa que se aproxima da confissão sem se preparar adequadamente, e sem o arrependimento sincero dos pecados pode até estar cometendo um sacrilégio! É exatamente sobre isso que falaremos nesta formação… sobre importância do arrependimento e contrição sincera!

Texto por Ester Alves

Sem arrependimento e sem se corrigir, o pecador não se salvará. É muito perigoso ofender o Criador e dizer-lhe com desdém: “Sinto muito”… sendo que não sente nada. Deus não é brinquedo de pessoas arrogantes: “Não vos iludais; de Deus não se zomba” (Gl 6, 7).

O que é que se entende por arrependimento? Arrependimento ou contrição “é um pesar de coração e detestação do pecado cometido, com o propósito de nunca mais cometê-lo” (Concílio de Trento).

Sem arrependimento não há perdão nem mesmo na confissão. Deus não perdoa nenhum pecado, mortal ou venial, se não estamos arrependidos: “A dor dos pecados consiste num desgosto e numa detestação sincera da ofensa feita a Deus” (São Pio X, Catecismo Maior, 705).

A verdadeira contrição deve ser interna, isto é, uma dor da alma, desgosto, pena, tristeza e detestação do pecado. Uma ação exterior, como bater no peito, sem a dor interna, não é ainda arrependimento.

Só a recitação vocal costumeira do ato de contrição ainda não é verdadeira contrição. Ao menos a vontade deve ter um ódio contra o pecado, e um desejo de não o ter feito: “Se Deus é o sumo bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o sumo mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de sumo amor, devemos também tomar-nos de sumo ódio contra o pecado” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 27).

O verdadeiro arrependimento deve se referir a Deus. É por isso que se chama sobrenatural. Nosso Senhor perdoa toda ofensa, por odiosa que seja, se o pecador tem verdadeira contrição: “Não há, pois, delito tão grave e abominável, que não seja apagado pelo Sacramento da Penitência, por sinal que não só uma, mas até duas e mais vezes” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 18).

Quem se arrepende dos pecados só por causa das suas consequências materiais desagradáveis ou desastrosas: doenças, perda de dinheiro, tempo, desgosto que deu aos pais, esposa, esposo… este não tem um verdadeiro arrependimento, mas é apenas uma contrição puramente natural. Este arrependimento não obtém o perdão dos pecados e não tem nenhum merecimento para a outra vida.

A verdadeira contrição é um sério desgosto e uma aversão completa ao pecado, que ofende e porque ofende a Deus. Depende mais da vontade do que de sentimentos sensíveis da alma: “Se o que outrora vos causava prazer e alegria enche agora a vossa alma de amargura, se os gozos de outros tempos vos fazem agora sofrer cruelmente, então tereis um verdadeiro arrependimento” (Santo Agostinho).

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E este arrependimento interno, sobrenatural, deve estender-se a todos os pecados mortais, deve ser universal, não pode excluir um só pecado mortal. Aquele que continua preso a um só pecado grave, esse não tem verdadeira contrição: “De que serve romper todos os laços, se ainda há um que vos prende ao inferno?” (Santo Agostinho).

Todo e qualquer pecado mortal ofende a Deus gravemente e nos faz perder a sua amizade, a graça santificante… e merece o castigo da pena eterna do inferno. Por isso é preciso arrepender-se de todos; e se um pecador excluiu um só não obtém perdão de nenhum pecado: “O primeiro requisito é aborrecer e detestar todos os pecados cometidos. Se nos arrependêssemos só de alguns, nossa penitência seria falsa e simulada, e não teria efeito salutar” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 31).

O Espírito Santo não pode entrar numa alma onde ainda subsiste aliança e amizade com o demônio, ainda que seja com um só pecado grave. Todo o pecado grave é ofensa grave, é separação de Deus… é inimizade com Deus.

Também convém ter arrependimento dos pecados veniais. São também ofensas feitas a Deus, embora menos graves, de modo que não nos privam inteiramente da amizade de Deus e não nos roubam a graça santificante.

Se alguém na confissão confessar só pecados veniais deve arrepender-se ao menos de um deles; do contrário, a confissão não é válida e não recebe perdão.

Este arrependimento interno, sobrenatural dos pecados graves também deve ser sobre todas as coisas, isto é, devemos confessar o pecado grave como o maior de todos os males, a ponto de preferirmos qualquer doença e mesmo a morte a pecar gravemente.

Há uma contrição perfeita e uma imperfeita. A contrição por si tende à reconciliação do pecador com seu Deus.

A contrição perfeita é aquela que consegue, por si só, sem o sacramento da confissão, a reconciliação plena e perfeita com Deus.

Aquele arrependimento ou contrição, que não consegue por si só pleno perdão e a perfeita reconciliação com Deus, chama-se contrição imperfeita.

Portanto, a diferença está nos efeitos. Uma, a perfeita, consegue, por si só, a perfeita reconciliação com Deus: a outra, imperfeita, não consegue o pleno perdão, mas tão somente mediante a confissão. É preciso, porém, lembrar que também a contrição perfeita deve estar unida com o sincero desejo e vontade de se confessar quando puder.

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O que decide se um arrependimento é perfeito ou imperfeito é o seu motivo. O arrependimento que se origina, que vem do perfeito amor de Deus, que é infinitamente bom, santo e amável, chama-se contrição perfeita. O que tem contrição perfeita alcança imediatamente o perdão pleno, a reconciliação perfeita com Deus, mas fica a obrigação de confessar os pecados a um sacerdote.
A diferença dos motivos de contrição aparece claramente no seguinte exemplo: um pai enviou dois filhos à cidade para fazerem algumas compras. No caminho ficaram a brincar e correram atrás dos passarinhos, chegando com muito atraso para casa. Aproximando-se da casa ficaram receosos e começaram a chorar. O primeiro chora, porque tem medo de que o pai vá castigá-lo. O segundo chora, porque tem pena e dor de ter desgostado e amargurado o pai, que sempre fora tão bom para com ele. Este segundo representa a contrição perfeita, porque o seu motivo é o amor; o primeiro representa a contrição imperfeita, porque tem como motivo o medo, arrepende-se por causa do castigo.

“Temos contrição perfeita quando nos arrependemos dos nossos pecados por termos ofendido a bondade de Deus” (Santo Agostinho). A contrição perfeita é o grande e puro amor de Deus, um amor sobre todas as coisas.

Contrição imperfeita ou atrição é aquela que procede do temor de Deus, do medo do castigo: inferno, castigos temporais… É imperfeita porque nasce de motivos menos perfeitos, não provêm do amor de Deus, mas de um medo servil.

A contrição imperfeita não nos obtém a reconciliação perfeita com Deus, somente mediante a confissão. Aquele que tem somente contrição imperfeita só recebe o perdão dos pecados com a absolvição sacramental na confissão. Essa contrição imperfeita é como uma pequena faísca, que a confissão e a absolvição inflamam e aumentam num grande incêndio, para destruir a palha do pecado.

Devemos despertar em nós um verdadeiro arrependimento e dor dos pecados: pensando na grandeza de Deus, na sua bondade e nos sofrimentos da Paixão de Cristo.

Acostumemo-nos a fazer todas as noites o ato de contrição perfeita, para não sermos surpreendidos pela morte em estado de pecado mortal.

Antes da confissão, devemos assegurar-nos de que temos dor sincera dos nossos pecados. Podemos esquecer-nos involuntariamente de confessar um pecado… até mortal; e mesmo assim fazer uma boa confissão… receber o perdão dos pecados. Mas também podemos confessar minuciosamente todos os nossos pecados e, no entanto, sair do confessionário com eles ainda em nossa alma, se não temos uma contrição sincera. Que perigo!

A palavra “contrição” deriva do latim e significa “moer”, “pulverizar”. A ideia de reduzir o eu a pó é a que nos leva a apresentar-nos diante de Deus com profunda humildade.

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Uma pessoa não pode estar contrita de um pecado se continuar disposta a cometê-lo novamente, se tiver ocasião.

Para se aproximar do sacramento da confissão, ou a nossa contrição é cem por cento sincera ou é melhor não confessarmos. O confessionário não é circo! “Quando nos vamos confessar, devemos ter muito empenho em ter verdadeira dor dos nossos pecados, porque esta é a coisa mais importante de todas; e, se falta a dor, a confissão não é válida” (São Pio X, Catecismo Maior, 724).

Receber o sacramento da confissão sem dor verdadeira é fazer uma confissão indigna, e o sacramento seria inválido e infrutífero. Se não temos contrição autêntica, Deus não nos perdoará os pecados.

Contrição sincera? Deve ser interior! O nosso coração deve estar nas nossas palavras… não significa necessariamente que devamos sentir uma dor emocional. Como o amor, a dor é um ato da vontade, não um golpe de emoção: “Deve estar no coração e na vontade, e não só nas palavras” (São Pio X, Catecismo Maior, 713).

É possível ter uma profunda dor dos nossos pecados sem sentir reação emocional alguma. Se com toda a sinceridade nos determinamos a evitar tudo o que possa ofender a Deus, com a ajuda da sua graça, então temos contrição interior.

O arrependimento perfeito não consiste em bater no peito com uma pedra, em derramar copiosas lágrimas… nem em dizer poesias sentimentais: “Não é necessário que materialmente se chore pela dor dos pecados; mas basta que no íntimo do coração se deplore mais o ter ofendido a Deus do que qualquer outra destraça” (São Pio X, Catecismo Maior, 719).

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Contrição sobrenatural? A nossa dor é sobrenatural quando nasce de considerações sobrenaturais; quer dizer, quando o seu “porquê” se baseia na fé em algumas verdades que Deus ensinou: “Deve ser excitada em nós pela graça do Senhor, e que a devemos conceber levados por motivos que procedem da Fé” (São Pio X, Catecismo Maior, 715).

Contrição sincera? A dor deve ser suprema! Devemos encarar realmente o mal moral do pecado como o máximo mal que existe, maior que qualquer mal físico ou meramente natural que nos possa ocorrer. Quando dizemos a Deus que nos arrependemos dos nossos pecados, estamos dispostos, com a ajuda da sua graça, a sofrer qualquer coisa antes de ofendê-lo outra vez: “Deve ser suprema porque devemos considerar e odiar o pecado como o maior de todos os males, uma vez que é ofensa a Deus, o sumo Bem” (São Pio X, Catecismo Maior, 718).

Contrição sincera? A dor deve ser universal! Devemos arrepender-nos de todos os pecados mortais sem exceção. Ou nos arrependemos de todos ou não poderemos recuperar a graça de Deus. Ou todos são perdoados ou nenhum: “Deve se estender a todos os pecados mortais cometidos” (São Pio X, Catecismo Maior, 720).

As condições: interior, sobrenatural, suprema e universal, se aplicam tanto à contrição perfeita como à imperfeita.
Muitas pessoas, até estudadas, confundem a dor natural com a contrição imperfeita, quando não são de maneira nenhuma a mesma coisa.

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Também a contrição imperfeita deve ser sobrenatural nos seus motivos; deve basear-se num motivo conhecido pela fé, como a crença no céu e no inferno ou na fealdade essencial do pecado. Uma simples dor natural não é contrição nenhuma, nem mesmo imperfeita.

Contrição significa que é mister dobrar e quebrar a obstinação e o orgulho do pecador e com o auxílio da graça transformar-se em obediência e amor: “O primeiro dentre os atos do penitente é a contrição” (Concílio de Trento).

Há atrás de cada pecado um ídolo que corrompe a alma. A verdadeira contrição destrói o ídolo restituindo a saúde da alma: “Reconhecemos, sim, que a contrição apaga os pecados, mas quem ignora que deve ser tão forte, tão intensa e tão ardente, que a veemência da dor esteja em exata equação com a gravidade dos pecados?” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 36).

O arrependimento é o regresso para Deus. Mas não é possível se Deus não nos der a graça: “Para ter dor dos nossos pecados, devemos pedi-la de todo o coração a Deus e excitá-la em nós com a consideração do grande mal que fizemos pecando” (São Pio X, Catecismo Maior, 722).

Quem não se arrepende dos próprios pecados, fica escravo das próprias más ações, exilado de Deus, doente ou morto na alma: “Com toda a instância, é preciso exortar e advertir os fiéis a que façam um ato de particular contrição, para cada pecado mortal que tiverem cometido” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 29).

Não só a contrição perfeita, mas o simples ato de amor a Deus sobre todas as coisas perdoa os pecados. Não é necessário o ato de contrição para obter o perdão dos pecados fora da confissão. Bastará um simples e sincero ato de amor a Deus, como este: Meu Deus, amo-vos sobre todas as coisas, porque vós assim o mereceis.

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Para receber o sacramento da penitência (confissão), não basta um simples ato do amor de Deus; é necessário fazer expressamente um ato de contrição perfeita ou imperfeita.

Para se obter o perdão, é necessário que a contrição perfeita ou imperfeita se estenda a todos os pecados mortais ainda não perdoados. Não se pode obter a graça santificante, que é a vida da alma, enquanto nela houver um pecado mortal.

Para haver verdadeira contrição – perfeita ou imperfeita – não é necessário que ela se estenda a todos os pecados veniais. Quem tivesse dez pecados veniais, e se arrependesse só de oito, ser-lhe-iam perdoados estes somente, e não os outros dois. Não se dá o mesmo com o pecado mortal: “Quem se confessa só de pecados veniais, para se confessar validamente, basta que se arrependa de algum deles; mas, para alcançar o perdão de todos, é necessário que se arrependa de todos os que reconhece ter cometido” (São Pio X, Catecismo Maior, 725).

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Para alcançar o perdão dos pecados no sacramento da penitência (confissão), não é necessária a contrição perfeita; basta a imperfeita ou atrição.

Atrição é a dor e detestação do pecado cometido, motivada pelo medo do inferno ou das penas temporais infligidas por Deus, unidas ao propósito de nunca mais pecar.

Fora da confissão, a atrição não chega para a remissão dos pecados mortais. Nem mesmo remite as faltas veniais numa alma despojada da graça santificante. Pode perdoá-las na alma em estado de graça.

Texto por Ester Alves