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Santo do Dia

São Gontrão, rei e confessor, padroeiro dos divorciados – 28 de Março

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SANTO DO DIA – 28 DE MARÇO – SÃO GONTRÃO
Rei da Burgúndia ou Borgonha (+529)

Os francos emergem dos anos de trevas da primeira Idade Média com o rei Clóvis (482-511), que conseguiu eliminar o parco domínio romano na Gália. Graças à influência da mulher, a princesa burgúndia Crodechildes (santa Clotilde), católica fervorosa, Clóvis fez batizar com todos os seus soldados pelo bispo são Remígio, depois de haver vencido os alamanos e os próprios burgúndios, aumentando assim os limites do reino que, a sua morte, foi dividido entre os quatro filhos.

A Gontrão coube a própria terra dos burgúndios. Os outros irmãos, em guerra uns com os outros, acabaram por eliminar-se reciprocamente. Apenas Gontrão sobreviveu, por se ter dedicado mais aos prazeres da vida do que à espada.

Sua conduta não foi exemplar. Repudiou a primeira esposa – culpada de ter-lhe dado apenas um filho, natimorto. A segunda esposa não teve melhor sorte. Nem a terceira, Austrechildes, que caiu em desgraça quando os dois filhos morreram em tenra idade.

São Guntrano - (28/03)

Era grande a tentação de mudar de novo de mulher, mas, convencido de que a morte havia batido repetidamente a sua porta por causa dos seus pecados, Gontrão mudou radicalmente de conduta. Adotou o sobrinho Childelberto, escolheu como capital do reino a cidade de Chalon-sur-Saône e promoveu a evangelização dos territórios do Jura. Fundou igrejas e mosteiros em vários lugares. E como fizera enforcar o médico da família por não ter conseguido curar seus filhinhos, favoreceu os estudos, instituindo as primeiras escolas nas proximidades dos mosteiros.

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Mostrou-se respeitoso dos direitos da igreja, sem jamais se intrometer na nomeação dos bispos, mas convocou seis concílios regionais para promover algumas reformas. Dedicou-se pessoalmente a socorrer se povo, afligido por repetidas pestes e pela fome; ofereceu-se a Deus como vítima de expiação por seus próprios pecados e pelos dos outros. Parece ter vestido o hábito monacal em razão da assídua frequência ao mosteiro de São Marcelo de Chalon. Tudo isso lhe valeu a auréola de santidade.

São Gontrão

Filho de Clotário I, rei de França e neto de Clóvis I e de Santa Clotilde, Clotário era senhor de França e de uma parte da Alemanha, quando a doença o prostrou, e ele se viu obrigado a tudo deixar. “Que pensais, dizia aos cortesãos, quem é esse rei celeste que faz morrer assim tão grandes reis?” Morreu, dessa forma, em Compiegne, no ano de 561, após ter reinado cinqüenta anos.Seus quatro filhos lançaram a sorte sobre o reino. Cariberto teve Paris e a Aquitânia. Gontrão recebeu Orleans, a Borgonha e estabeleceu a capital em Châlon-sobre-o-Saône. A Sigeberto, o mais jovem, coube a Austrásia, e em Metz estabeleceu a capital.

Era uma época de revoluções e de assassínios políticos. Cariberto morreu em 567, sem deixar filho. Seus três irmãos dividiram entre si o reino que lhe cabia. Sigeberto foi assassinado, deixando um filho de cinco anos. Chilperico morreu da mesma maneira, deixando um filho de dois meses. Gontrão serviu de pai aos dois sobrinhos. No começo de seu reinado, cometeu maus de uma falta por fraqueza e induzimento. Mas expirou-as pela penitência. O traço dominante de seu caráter era a bondade e a piedade.

Morrendo Chilperico, foi a Paris e dedicou-se à reparação das injustiças que seu irmão cometera. Fez com que fossem restituídos aos particulares os bens que Chilperico lhes havia tomado, ordenou a execução dos testamentos em favor da Igreja, que ele tinha cassado e mostrou-se de grande liberalidade para com os pobres. Advertiram-no, todavia, de que sua vida corria perigo. Foi a causa de andar sempre rodeado de guardas, mesmo quando ia à igreja, durante a estada em Paris.

Um domingo em que assistia à missa, o diácono fez com que o povo mantivesse silêncio para começar o sacrifício. Gontrão voltou-se para o povo e disse: ” – Eu vos conjuro, homens e mulheres que aqui estais, a guardar-me fidelidade inviolável e não me matar, como fizestes recentemente a meus irmãos. Que me seja permitido, ao menos durante três anos, educar meus sobrinhos que são meus filhos adotivos. Tenho receio – o que Deus queira evitar – de que se eu morrer, venhais a perecer com essas crianças, não tendo um homem feito em nossa família para vos defender”. A essas palavras, todo o povo dirigiu a Deus preces pelo rei. Seus dois sobrinhos eram Childeberto da Austrásia, filho de Sigeberto e de Brunehaut, e Clotário II, filho de Chilperico e de Fredegunda.

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Gontrão recebeu o jovem rei da Austrásia com ternura paternal. Colocando-lhe uma lança na mão, disse-lhe, diante de todos: “É este o sinal que te dou da entrega de meu reino. Para o futuro, submete à tua autoridade todas as minhas cidades como se fossem as tuas, porque, por causa dos nossos pecados, não resta de nossa família senão tu, que és filho de meu irmão. Serás meu herdeiro e meu sucessor em todo o reino, com exclusão de todos os outros.” Depois, tomando-o em separado e recomendando-lhe o mais profundo silêncio sobre o que ia lhe dizer, fê-lo conhecer em pormenores quais os homens que devia, ou não, honrar com sua confiança.

Um dia, quando se dirigia para fazer orações, às diversas igrejas de Orleans, o rei Gontrão rumou para a residência de São Gregório de Tours, que morava na igreja de Santo Avito. Gregório levantou-se cheio de alegria ao reconhecê-lo e, depois de lhe ter dado a benção, rogou-lhe houvesse por bem aceitar com ele alguns elogios de São Martinho. Gontrão aceitou. Entrou com muita cordialidade, bebeu um copo de vinho, lembrou a Gregório que devia estar presente no jantar para o qual havia convidado todos os bispos e retirou-se alegre. O que ele fazia por Gregório de Tours, fazia-o por todos os cidadãos de Orleans. Aceitou o convite, compareceu ao jantar e encantou-os como sua bondade. Chamavam-no geralmente o bom rei.

Gregório pedira-lhe indulto para alguns senhores implicados em uma insurreição política e que se haviam refugiado na igreja de São Martinho de Tours. Mas nada conseguiu, Não se agastou. Voltou no dia seguinte e disse ao rei: “Escutai-me príncipe. Fui enviado a vós como emissário de meu senhor. Que resposta quereis que lhe dê, desde que não vos dignais dá-la a mim?” O rei surpreendido perguntou-lhe: “Quem é o senhor que vos envia?” O bispo lhe disse sorrindo: “São Martinho”. A esse nome, Gontrão fez com que os culpados lhe viessem à presença, repreendeu-os por causa da perfídia, chamou-os de raposas malignas e, depois, lhes concedeu o indulto, bem como os bens que lhes haviam sido subtraídos.

O zelo de Gontrão sustinha e animava o dos prelados de seu reino. Perdendo os dois filhos que deviam suceder-lhe, aplicou-se mais do que nunca a toda sorte de boas obras. Parecia, diz Fredegário, um bispo entre os bispos, tal o zelo pelos interesses da Igreja. Os exemplos de um rei tão bom santificaram a família. As duas princesas, suas filhas, Clodoberge e Clotilde, renunciaram às grandezas e aos prazeres do mundo, para se consagrarem a Deus, na sua virgindade. E Clodoberge não tardou em receber a recompensa celeste.

Gontrão distinguiu-se especialmente pala magnificência com que fundava e dotava as igrejas. Deu diversas terras ao mosteiro de São Sinfrônio de Autun e ao de São Benigno de Dijon. Neste último estabeleceu os salmos perpétuos, a exemplo do mosteiro de Agaune, onde os monges, divididos em vários grupos, se revezavam dia e noite, para cantarem, sem interrupção, os louvores de Deus. Mandou construir uma igreja magnífica e um mosteiro nos arredores de Châlon-sobre-o-Saône, em honra de São Marcelo, mártir, e instituiu também um coro contínuo querendo com isso que a ordem dos salmos fosse a mesma a ser observada na igreja de Tours. Fez com que o regulamento por ele estabelecido fosse aprovado por quarenta bispos.

Nada mais edificante do que a maneira pela qual o príncipe fala na ata da fundação desse mosteiro. Começa assim: “Gontrão, pela disposição da Divina Providência, rei sob o reino de Deus, servidor dos servidores do Senhor, a todos os filhos da nossa Mãe, a santa Igreja, saudações. Vejo com sentimento que para punição dos nossos pecados, nossas igrejas, fundadas para o serviço de Deus, definham por causa da ambição desmedida dos príncipes e pela exagerada negligência dos prelados. E estou penetrado de dor de não poder bastar para tudo. Todavia, para não comparecer de mãos vazias diante do Senhor, resolvemos dotar com as mais belas terras a basílica que erguemos em honra do glorioso São Marcelo de Châlon.” Indica a seguir, vários lugares, cujos habitantes encarregou de construir os diversos edifícios necessários aos mosteiros e termina com estas palavras: “Se alguém violar estas disposições, seja varrido do livro da vida.”

O rei Gontrão reuniu vários concílios, não somente para regular os negócios da Igreja, como também para tratar dos bens temporais dos povos, para conciliar as diferenças do reino a outro, e prevenir, dessa forma, as guerras vivis entre os francos. Para ele, os concílios eram ainda conselhos de Estado. Sua caridade se mostrou sobretudo nessa circunstância.

Um navio que chegara da Espanha, espalhara em Marselha a peste, enquanto Teodoro, bispo dessa cidade se encontrava na corte de Childeberto. O santo bispo retornou imediatamente para consolar o povo, e aliviar-lhe o sofrimento. Não omitiu nenhum dos socorros espirituais e temporais que podia dar. E quando a doença e a deserção reduziram os habitantes da grande cidade a um pequeno número, encerrou-se no recinto da igreja de São Vítor, com os que restavam, passando os dias e as noites em orações, para acalmar a cólera divina. O mal contagioso passou de Marselha para Lião.

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Gontrão desempenhou, ao mesmo tempo, as funções de um bom rei e de um piedoso bispo. Ordenou que fossem celebradas as rogações e que, durante três dias, tempo que deviam durar, se jejuasse, comendo pão de cevada e bebendo água. Foi o primeiro a dar exemplo, redobrando as austeridades, as orações e as esmolas costumeiras. Seus súditos o olhavam com veneração e respeitavam nele mais a qualidade de santo do que a de rei. Arrancavam-lhe pedaços das vestes para aplicá-los aos doentes.

Uma mulher curou dessa forma, seu filho de uma febre. Levavam-lhe até os possessos, e Gregório de Tours disse que fora testemunha do poder que tinha sobre eles. Gontrão era, sobretudo, o protetor da inocência oprimida pelos grandes, como o demonstrou no ano seguinte, 589, tomando a defesa de uma jovem virgem, a quem o amor ao pudor havia inspirado a coragem de uma heroína.

O duque de Amolon, na ausência da esposa, tomou-se de paixão criminosa por uma jovem e fez que lhe conduzissem, durante a noite, os seus criados, estando ele bêbado. Como ela resistisse com todas as forças, os criados lhe deram pancadas, a ponto de arrancar-lhe sangue. O duque, tomado pelo álcool, recebeu-a nesse estado. Mas, imediatamente ela agarrou uma espada que percebeu na cabeceira da cama e desferiu-lhe um golpe vigoroso na cabeça, como outrora Judite fizera a Holofernes.

Aos gritos do duque, os criados acorreram, querendo matá-la. Mas o duque lhes disse: “Não lhe façais nada. Eu é que pequei, querendo manchar-lhe a honra. O que ela fez merece antes que a vida lhe seja conservada”. A jovem heroína, aproveitando-se da tristeza em que se encontrava a família, escapou da casa em de noite mesmo, dói refugiar-se na igreja de São Marcelo. Lá, atirando-se aos pés do rei Gontrão, contou-lhe o que acontecera. O príncipe a recebeu com bondade, concedeu-lhe não somente a vida, mas, em seu favor, expediu uma ordem pela qual declarava que a tomava sob sua proteção e proibia aos parentes do duque que a importunassem.

Enfim, o bom rei Gontrão – assim chamavam os contemporâneos – morreu em 28 de março de 593, em Châlon-sobre-o-Saône, onde foi sepultado na igreja de São Marcelo, que ele mesmo havia fundado.

Com sua morte, o sobrinho Childeberto, rei da Austrásia, herdou-lhe o reino da Borgonha. A igreja colocou o nome do rei Gontrão entre os santos e celebra-lhe a memória no dia 28 de Março.

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