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Santo do Dia

Santo Urbano V – 19 de Dezembro

 

SANTO DO DIA – 19 DE DEZEMBRO – SANTO URBANO V
Papa (1309-1370)

O Papa Urbano V assumiu o cargo em 1362, numa época em que a Europa sofria agitações sociais muito intensas. Numa tentativa de manter o pontífice longe das intrigas e das lutas políticas e revolucionárias, que dominavam Roma, a sede da Igreja fôra transferida para Avignon, na França.

Urbano era monge beneditino e pertencia a uma nobre família francesa. Quando jovem estudou ciências jurídicas e depois lecionou direito em Montpellier e na própria Avignon. Um dia, trocou a laureada toga pelo humilde hábito de monge, chegando a ocupar altos cargos dentro da Ordem beneditina.

Sua biografia é cheia de adjetivos elogiosos: ‘professor emérito, estudioso de renome, abade de iluminada doutrina e espiritualidade’. Por tudo isso foi escolhido pelo Papa Inocêncio IV para desempenhar missões diplomáticas delicadas. Pelo mesmo motivo, quando Inocêncio morreu, foi eleito seu sucessor, mesmo não sendo cardeal.

Seu pontificado durou somente oito anos, mas caracterizou-se, segundo os registros oficiais, pela sábia administração, pelo esforço de renovar os costumes e pela nobreza de intenções. Ele reformou a disciplina eclesiástica e reorganizou a corte pontifícia de maneira que fosse um exemplo de vida cristã, cortando pela raiz muitos abusos. Mas também se preocupava com a instrução do povo. Era o período do humanismo e o ex-professor de direito não mediu esforços para promover as ciências e criar novos centros de estudos. A pedido do rei da Polônia, ergueu e fundou a universidade da Cracóvia e, na universidade de Montpellier, fundou um colégio médico, ajudando pessoalmente estudantes pobres.

No terreno político e militar seu trabalho também foi reconhecido. Organizou uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ameaçavam a Europa. No plano missionário, enviou numerosos grupos de religiosos às regiões europeias ainda necessitadas de evangelizadores, como a Bulgária e a Romênia. Além de organizar uma expedição missionária para levar a palavra aos mongóis da longínqua Ásia.

O grande sonho do Papa Urbano V, porém, era levar de volta a sede da Igreja para Roma. Conseguiu isso, em outubro de 1367, sendo recebido com entusiasmada aclamação popular. Foi o primeiro a se estabelecer no palácio ao lado da Basílica de São Pedro, no Vaticano. E, desde então, se tornou a residência oficial dos pontífices. Mas a paz durou pouco. Alguns anos depois Urbano V foi novamente obrigado a deixar Roma, e voltar para Avignon, onde faleceu em 19 de dezembro de 1370.

Texto: Paulinas Internet

Conheça mais sobre Santo Urbano V

Guilherme de Grimoardo – depois Urbano V, Papa – nasceu em 1310 no castelo de Grisac. Era filho de Guilherme, “Sire de Grisac e doutros lugares”, e de Anfelisa de Montferrant, mulher excelente e cristã notável. Conta-se que, quando Guilherme era menino, agia tão desconcertantemente que a mãe, olhando-o como lhe perscrutando o íntimo, acabava por lhe dizer:

– Meu filho, eu não te entendo, mas Deus te entende.

Depois de ter estudado em Montpelier, e em Tolosa, o jovem procurou os beneditinos de Chirac, priorado que se situava entre Mende e Marvéjols, dondo, mais tarde, passou para São Vítor, “abadia muito ilustre”, em Marselha.

Guilherme de Grimoardo freqüentou os cursos universitários de Mentipellier, Avinhão, Tolosa e Paris. Doutor aos trinta e dois anos, ensinou direito canônico em várias universidades a partir de 1342.

Vigário Geral de Clermont e de Uzes, foi abade de São Germano de Auxerre em 1352 e de São Vítor de Marselha em 1361.

Tendo-lhe sido confiadas por Clemente VI várias legações na Itália, em 1352, 1354, 1360 e 1362, foi neste último ano que soube de sua eleição para dirigir a cristandade. Era 28 de setembro, e Guilherme contava cinqüenta e dois anos.

A 27 de outubro, chegava a Marselha. A 31 do mesmo mês, era intronizado em Avinhão, e, a 6 de novembro, sem nenhuma festividade, foi coroado.

Urbano V continuou a ser o monge pobre, casto, de dias cheios. O Papa rezava missa e orava longamente. Recitadas as pequenas horas, ia para as audiências, onde permanecia até a hora da refeição. Socorrendo os pobres, estudando, lendo, conversando sobre o que lia, sobre os negócios da Igreja, comentando passagens da vida dos santos, seguidamente discorrendo sobre as perenes misérias deste mundo, assim lhe corria o dia. Com o clero, em casa, recitava as matinas. Quando ia para a cama, duro leito incômodo, deitava-se vestido, para fugir do repouso absoluto. Durante a noite, frequentemente, ouviam-no gemer e orar.

A afeição do bem-aventurado Papa para com os pequenos e os humildes, era notável: tudo o que ganhava não lhe parava nas mãos, dava-os aos necessitados. Ao invés de empregar membros da família, colocava nos altos postos somente aqueles que eram merecedores. Grande incentivador dos estudos, a cada passo os favorecia. Costumava dizer:

– Desejo que os homens doutos sejam em grande número na Igreja de Deus.

A Igreja, quando de Bonifácio VIII (1294-1303), proibiu por bula, em 1296, e sob pena de excomunhão, aos monges e clérigos, o pagamento de taxas às autoridades vivis, sem a permissão da Santa Sé.

O rei da França, Filipe, o Belo, repeliu aquela bula e, vendo-se apoiado pela nação, levou a desavença surgida até o insulto, mesmo à violência. Declarada nula a ingerência do Papa em assuntos leigos, mercenários franceses chegaram ao cúmulo de, prendendo o Pontífice, espancarem-no. Bonifácio VIII, quase nonagenário, morreu de dor.

Mais tarde, em 1309, a pouco menos de um ano do nascimento do bem-aventurado, o Papado era transferido para Avinhão, na Provença. Ali permaneceu por setenta anos – o que a Igreja compara com o período do cativeiro da Babilônia – e, desde então, os Papas foram todos franceses. Ditavam-lhes a política os reis da França, daí surgindo certos abusos. Contra eles, Urbano V, incansavelmente, lutou, para que não tomassem corpo. Com efeito, sob o seu pontificado, cercearam-se consideravelmente.

Advogado que pleiteou a causa dos Papas de Avinhão, os quais a história escureceu um tanto, numa época em que a caridade divina parecia menos ativa entre os homens, faleceu o bem-aventurado Urbano V aos 19 de dezembro de 1370, depois de ter reinado em Roma e retornado a Avinhão.

Enterrado em Notre-Dame-des-Doms, depois transferido para São Vítor de Marselha (1372), onde se realizaram inúmeros milagres.

O piedoso Pontífice somente foi beatificado em 1870, por Pio IX: obstou-lhe o andamento do processo o Grande Cisma.

(Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 347 à 350)

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