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Santo do Dia

São Martinho de Tours, padroeiro da guarda suíça do Vaticano – 11 de novembro

SANTO DO DIA – 11 DE NOVEMBRO – SÃO MARTINHO DE TOURS
Bispo (316-397)

Bastou o episódio do manto dividido em dois para abrigar contra o frio um mendigo encontrado à noite, quando estava de ronda, para torná-lo popular no decurso dos séculos. A vida de Martinho é constelada de gestos generosos.

Nascido na província romana da Panônia, o pai, militar, o encaminhou à mesma carreira em Pavia, para onde fora destinado. Martinho foi logo promovido ao grau de circitor, isto é, de ronda noturna, e foi durante este serviço que dividiu seu manto com o pobre friorento.

Recebeu o batismo na Páscoa de 339 e continuou a vida militar até os 40 anos. Depois da dispensa foi para Poitiers encontrar-se com o bispo Hilário, que o acolheu em sua diocese, ordenando-o exorcista e hospedando-o em uma vila um pouco distante, onde Martinho levou vida monacal, logo rodeado de discípulos.

Surgiu assim o primeiro mosteiro da Europa, em Ligugé. Realizava-se assim sua grande aspiração, expressa na juventude e contrariada pelo pai, obstinadamente pagão. Mas em Ligugé permaneceu apenas dez anos.

O bispo de Tours havia morrido, e os fiéis logo pensaram em Martinho. Não foi fácil convencê-lo; para vencer sua resistência, tiveram de recorrer a um estratagema: um certo Rusticus convidou-o a sua casa, para visitar a mulher enferma e tocá-la com as mãos. Martinho não pôde subtrair-se a um ato de caridade e foi. Mas no caminho um grupo de cristãos raptou-o e levou-o a Tours, onde a população o aclamou bispo. Isso também aconteceu a Ambrósio em Milão e a Agostinho em Hipona.

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Martinho foi consagrado bispo em 4 de julho de 371. E foi um pastor zeloso e ativo, sobretudo um grande missionário, porque não se limitou a guiar seu rebanho e a servir de árbitro entre os cidadãos e as autoridades romanas. Percorreu os campos e as vilas e preparou seus sacerdotes para a missão, fundando em Mormutier o primeiro centro de formação missionária da Gália.

Ao findar o outono de 397, estava em visita pastoral em uma paróquia rural quando sentiu avizinhar-se a última hora. Estendeu-se sobre uma rude mesa recoberta de cinzas e em oração esperou a morte, que chegou em 8 de novembro. No dia 11 de fevereiro realizaram-se as exéquias em Tours, onde foi colocado em uma simples tumba. Contra esta se enfureceram os huguenotes que, em 25 de maio de 1562, queimaram os restos mortais do grande bispo.

Retirado do livro: ‘Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente’, Paulinas Editora.

São Martinho, Bispo de Tours

Santo Hilário de Poitiers veio a ser bispo em 353, justamente quando um soldado o procurava como discípulo, Era Martinho, filho dum tribuno militar, ou marechal de campo, originário da Panônia, a atual Hungria.

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Martinho havia conseguido baixa do serviço e fora ter com o novo bispo. Os germanos, fazendo uma irrupção nas Gálias, reuniam tropas para marchar contra ela. Havia, naquela ocasião, uma distribuição de liberalidades aos soldados. Martinho, que desde longo tempo pensava no retiro, teve a sutileza de não querer participar das recompensas, o que redundaria na continuação de prestação de serviço. Requereu, então, que sua parte fosse dada a um outro, ao mesmo tempo que solicitava a liberdade, porque desejava servir somente a Deus.

Repreenderam-no, tacharam-no de medroso, porque, justamente no dia seguinte, travar-se-ia uma grande batalha. Martinho respondeu com santa intrepidez:

– Não seja por isso: ficarei e tomarei parte na luta. Irei à frente, sem armas, sem escudo, sem outra defesa que não nome de Jesus e o sinal da cruz. Sem temor, hei de me precipitar no meio dos esquadrões inimigos e onde mais denso se me apresentar.

Naquela mesma noite, porém, os bárbaros pediram a paz e Martinho obteve licença.

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Esta bravura heróica, já a havia mostrado na prática da virtude. Um dia, em que caminhava no mais rigoroso do inverno, em que grande número de pessoas morria de frio, encontrou às portas de Amiens um pobre nu, que implorava piedade dos passantes. Percebendo que ninguém nem sequer o infeliz lançava um olhar, pensou que Deus a ele o destinava. Havia, porém, distribuído tudo o que possuía, não lhe restando senão as armas e a roupa que envergava. Que fazer? Rasgou o manto em duas partes: ao pobre, deu metade, na outra metade, abrigando-se ele da melhor maneira possível. E tão ridículo parecia, que quem o via não podia deixar de rir e escarnecer.

Na noite seguinte, em sonhos, Martinho viu Jesus coberto com a metade do seu manto, dizendo aos anjos que o rodeavam: “Quem me cobriu porque estava nu e com frio, não passa ainda de catecúmeno”.

Martinho impressionado com o sonho, prontamente recebeu o batismo.

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Mais dois anos ficou ele no exército, vencido pelas súplicas de seu marechal de campo, com o qual vivia na mais estreita amizade, e que lhe prometera o definitivo desligamento quando terminasse seu tempo de comando.

Martinho era piedoso desde os tempos da meninice. Com a idade de dez anos, às escondidas dos pais que eram pagãos, foi à igreja e ao padre pediu para ser instruído. Aos doze, desejava ardentemente a solidão do deserto, e tê-lo-ia demandado, não fora a tenra idade impedi-lo. Tinha o coração nas igrejas e mosteiros e vivia meditando no que havia de fazer quando a idade o permitisse. Foi quando surgiu uma ordem dos imperadores para que se alistassem os jovens. E lá se foi Martinho prestar serviços na milícia. Durante o período militar, preservou-se de todos os vícios que, ordinariamente, acompanham esta profissão, e fez-se querido por todos os companheiros de armas por uma bondade, uma caridade, uma paciência e humildade além das forças humanas.

Terminada a fase do serviço militar, ei-lo em busca de Santo Hilário. O grande bispo não precisou de muito tempo nem de muita observação para se convencer de que estava diante dum discípulo de méritos extraordinários. Para que mais se aplicasse, quis ordená-lo diácono, mas o jovem Martinho, crendo-se indigno, humildemente solicitou que o ordenasse apenas exorcista.

Um dia, em sonhos, recebeu a advertência de que devia ir ao encontro dos pais, ainda pagãos e, com o consentimento de Santo Hilário, partiu, não antes de, diante das lágrimas e das súplicas do bom bispo, prometer que voltaria. Passando os Alpes, caiu nas mãos dos ladrões. Um deles, de acha erguida, resolveu moer-lhe a cabeça, quando um segundo lhe susteve o braço, neutralizando o golpe. Martinho, as mãos atadas atrás das costas, foi puxado por um terceiro, à parte, que lhe perguntou:

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– Quem és tu?

– Sou cristão, respondeu o jovem, sem demonstração alguma de receio.

– E não tens medo? Voltou o outro a perguntar.

– Não. Nunca me senti tão tranqüilo.

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– E donde vem essa tranqüilidade, essa calma?

– De Deus, porque sei que Deus não abandona os seus seguidores nas horas amargas. Sinto-me aflito, sim, aflito, e muito, mas por vós todos, ladrões que sois e, pois, indignos da misericórdia daquele que nos criou.

E, naturalmente, enveredou-se Martinho pela pregação evangélica. E aquele terceiro bandido, que o trouxera à parte, convertido, deixou que o jovem se fosse. Mais tarde, abraçou a vida monástica e contava, constantemente, esta história.
Chegando à Ilíria, Martinho converteu a mãe e numerosas pessoas. O pai, contudo, continuou pagão.

Quem dominava o país eram os arianos. Martinho combateu-os corajosamente, mas foi vítima de maus tratamentos: surrado publicamente, foi expulso da cidade.

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Sofreria pela fé católica, igualmente, em Milão, onde dominava o ariano Auxêncio, mas logo substituído por Santo Ambrósio.

Martinho retornou a Poitiers em 360, quando Santo Hilário voltava de seu exílio pela fé. Reviram-se os dois amigos com uma alegria inenarrável. O bispo, que conhecia a inclinação de Martinho para a solidão, deu-lhe um terrenozinho num lugar chamado Lugugé, a duas léguas da cidade. Martinho, ali erigiu um mosteiro, o qual, parece, foi o primeiro das Gálias. (…)

São Martinho continuou no episcopado a sua maneira de viver, conservando no coração a mesma humildade, a mesma pobreza de vestimentas e a mesma autoridade cristã de sempre. Vivia numa cela, pequenina, perto da igreja, mas não podendo suportar a distração das visitas que recebia, construiu um mosteiro a duas milhas da cidade, mosteiro que subsistiu até o último século, chamado de Marmoutier. Era lá, então, um deserto, rodeado, por rochas altas e escarpadas, por todos os lados, separado pelo Loire: era um lugar, abrupto, acessível apenas por um caminho estreitíssimo, difícil de se palmilhar.

A cela que ocupava era de madeira, bem como as de alguns irmãos. A maior parte deles alojara-se em covas que haviam cavado na rocha.

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Cerca de oitenta discípulos viveram com São Martinho, todos sem possuir o que quer que fosse de seu. Não tinham permissão para vender nem para comprar nada, como faziam os monges de então. Os jovens escreviam, e os velhos oravam. Muito raramente, saíam das celas em quando o faziam, era para ir ao oratório. Alimentavam-se todos juntos, depois do jejum, ou seja, pelo começo da tardinha. Desconheciam o uso do vinho e só o ingeriam em caso de doença. Quase todos vestiam-se de peles de camelo, grosseiras, porque era crime vestir-se mais confortavelmente. E, entre eles, haviam nobres, que chegaram a bispos, pela simples razão de não haver igreja que não desejasse pastor que lhes viesse do convento de São Martinho.

Pouco tempo depois da ordenação, Martinho foi obrigado a ir à corte do imperador Valentiniano, que vivia ordinariamente em Tréveris. Sabendo que São Martinho ia pedir-lhe o que não lhe queria dar, ordenou que o não deixassem entrar no palácio. Valentiniano era cruel e soberbo, e, além disso, a esposa Justina, era ariana e tudo fazia para que o marido não rendesse honras ao santo bispo.

Martinho tentou, inutilmente, uma e duas vezesm aproximar-se daquele príncipe de tão mau coração, aparentemente. Usou de todos os recursos e de todas as armas ordinárias: do cilício, da cinza, com a qual se cobria da cabeça aos pés, absteve-se de beber e de comer. Só fazia, sem cessar, orações e orações, noite e dia.

Ao sétimo dia, apareceu-lhe um anjo, ordenando-lhe que se dirigisse ao palácio ousadamente. E Martinho foi. As portas abriram-se-lhe, ninguém lhe impediu a passagem.

O príncipe encolerizado, quando Martinho plantou-se-lhe em frente, perguntou-lhe:

– Quem vos deixou entrar? Quem vos deixou passar?

Mas, como única resposta, incendiou-se, inopinadamente, o trono, o qual teve Valentiniano de deixar com um salto.

Reconhecendo, então, o poder divino, atirou-se para o santo e pos-se a abraçá-lo sem fim, concordando com tudo que Martinho desejasse, sem mesmo saber quais lhes eram as pretensões. E uma audiência ao santo bispo foi concedida imediatamente, finda a qual ambos almoçaram juntos.

Quanto Martinho partiu, ofereceu-lhe Valentiniano presentes inúmeros, mas o santo, delicadamente, deles declinou, para conservar a pobreza. (…)

Quando a morte estava próxima, sem que ninguém o suspeitassem descobriu-o ele, dando disso ciência aos discípulos.
Sabendo que existiam dissensões entre os clérigos da Igreja de Cande, longe, na sua diocese, lá foi ele, incansável, estabelecer a paz, seguido dum grande número de discípulos. Lá estando, conseguiu o que desejava, depois dalgum tempo.

Quando resolveu retornar, faltaram-lhe as forças. Chamou os discípulos, avisando-lhes:

– Meus caros, meu fim está próximo.

Todos, emocionados, pilhados de surpresam puseram-se a chorar, exclamando a uma só voz:

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– Oh, pai, por que ides abandonar-nos? Os lobos rapaces atirar-se-ão sobre vossas ovelhas, e então?

São Martinho suspirava. E eles continuavam:

– Nós conhecemos o vosso desejo de vos reunirdes ao Senhor Jesus Cristo: mas pai, vossa recompensa já está assegurada. Diferi-la será a mesma coisa. Ficai entre nós, pai, ficai entre nós! Vede as nossas necessidades, considerai os perigos em que ides abandonar-nos.

São Martinho, comovido até as lágrimas, reuniu as forças, levantou ao céu os olhos e balbuciou:

– Ó Senhor, se eu for ainda necessário ao vosso povo, não me recuso a trabalhar: seja feita a vossa vontade.

Embora ardesse em febre, passou a noite deitado sobre um cilício de cinzas, orando e chorando até a madrugada. Os discípulos quiseram cobri-lo com um pouco de palha, mas o Santo recusou o oferecimento, agradecendo a solicitude.

– Meus filhos, disse-lhes, sinto-me bem ao vos dar mais um exemplo.

Tinha as mãos e os olhos erguidos para o céu, e orava, orava continuamente. Como os que o rodeavam lhe suplicassem se virasse para aliviar o cansaço do corpo, disse-lhes:

– Meus irmãos, deixai-me contemplar o céu, assim de costas, porque quero desprender-me da terra e voar para Deus.

De repente, vendo o demônio perto dele, gritou, com as poucas forças que ainda tinha:

– Ó besta cruel! Que fazes aí? Nada terás de mim! Nada! Daqui, com a ajuda de Deus, irei para os seio de Abraão!

Dizendo essas palavras, expirou. E o clarão que lhe iluminava o rosto era tal, e tal era a serenidade, que os assistentes se admiraram, crentes de que o bom Martinho participava já da glória.

Os habitantes de Poitiers pretendiam arrebatar-lhes as relíquias, por causa da estadia que o Santo fizera entre eles, no mosteiro de Ligugé, mas o povo de Tours antecipou-os. E a multidão que compareceu aos funerais foi incrível. A gente da cidade e do campo acorreu, bem como das cidades vizinhas de Tours. Dois mil monges se reuniram para as cerimônias, e um grande número de virgens. E todos, desconsolados, choravam pela perda, crentes, porém, da glória de Martinho, então no céu.

Ao cantar dos hinos, foi o Santo levado ao sepulcro, onde, mais tarde, se elevou uma grande igreja e o ilustre mosteiro famoso de São Martinho de Tours.

( Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 317 à 337)


 

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