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Profanação: brasileiro usa fantasia de Nossa Senhora Aparecida em concurso de transexuais

Modelo descreveu o recurso à imagem da Padroeira do Brasil como seu “traje típico oficial” para o evento Miss International Queen 2022

Por Aletéia – Eloá Rodrigues, de 29 anos, representante do Brasil no concurso internacional de transexuais Miss International Queen 2022, se fantasiou de Nossa Senhora Aparecida alegando tratar-se do seu “traje típico oficial” para o evento, que acontece na Tailândia.

A escolha, segundo Mayra Figueiredo, co-diretora do concurso nacional Miss Beleza T Brasil 2021, significaria “a grandiosidade de ter a padroeira do Brasil sendo levada por uma mulher trans para um concurso com tamanha visibilidade”.

Eloá Rodrigues declarou em sua conta no Instagram:

“O suspense acabou: hoje levo para o palco do Miss International Queen 2022, como meu Traje Típico oficial, a Nossa Senhora Aparecida. Padroeira e protetora do Brasil, Nossa Senhora Aparecida é mantida no santuário de Aparecida, em São Paulo, onde foi construído o maior Santuário Mariano do mundo”.

A postagem prossegue:

“De cor azul, simbolizando o céu, o manto é bordado com delicados florais dourados, que remetem à realeza e indicam a soberania da santa sobre o céu e a Terra. Também é possível observar as bandeiras do Brasil e do Vaticano unidas em ambos os lados do sagrado manto, indicando que Nossa Senhora Aparecida é padroeira do Brasil, que está associado ao Vaticano, sendo, portanto, um país católico e sob a proteção da Rainha do Brasil. O manto, assim como a coroa com a qual foi proclamada ‘Rainha do Brasil’, em 1930, foram presentes da Princesa Isabel”.

Mayra Figueiredo informou que a escolha do assim chamado “traje típico” foi de Eloá, que “já trouxe toda a ideia de como seria importante a representação da padroeira”. A co-diretora do Miss Beleza T Brasil 2021 também explicou sobre o concurso internacional Miss International Queen 2022:

“É o maior concurso para mulheres trans do mundo. Existem outros concursos, mas são menores e com visibilidade bem menor. Mas ele é considerado o Miss Universo para as mulheres trans. Só cabe uma candidata por país”.

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Representações de Nossa Senhora Aparecida: o que já foi considerado pela Igreja?

Em 2017, a escola de samba Unidos de Vila Maria, de São Paulo, levou ao sambódromo um desfile que se anunciava como um tributo a Nossa Senhora Aparecida.

Na ocasião, a Arquidiocese de São Paulo, conforme registrado pelo seu site oficial, acompanhou a execução do desfile “em acordo com a Arquidiocese de Aparecida e com o Santuário Nacional”, reconhecendo que “a abordagem de temas religiosos nas escolas de samba sempre foi um assunto polêmico” e destacando “a intenção de fazer com que o desfile da agremiação” fosse “uma verdadeira homenagem por ocasião dos 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, sem ofender o sentimento religioso do povo católico”.

De fato, muitos fiéis católicos discordaram da mistura entre carnaval e representação da Mãe de Deus, considerando que esse evento, caracterizado por fortes apelos sensuais ou explicitamente eróticos, não ofereceria o desejável contexto de veneração com que a Igreja enxerga e promove as formas populares de devoção à Santíssima Virgem Maria.

Atento à responsabilidade de zelar por medidas que impedissem um tratamento debochado a Nossa Senhora, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, se pronunciou oficialmente sobre os quesitos levados em consideração para acatar o pedido da escola de samba, que pretendia “apresentar o tema de Aparecida num enredo do carnaval”. Dom Odilo informou, em nota, que a análise de tal pedido foi feita em conjunto com o Conselho Pro-Santuário Nacional de Aparecida, do qual também participam o arcebispo de Aparecida, o presidente da CNBB, vários outros arcebispos do Brasil e o reitor da Basílica.

Segundo a nota de dom Odilo, “o Conselho, por unanimidade, deu parecer favorável à iniciativa [da escola de samba], mas recomendou que fossem observados alguns critérios:

  • 1. Respeito à imagem de Nossa Senhora Aparecida, à fé e à religiosidade do povo católico;
  • 2. Fidelidade aos fatos históricos;
  • 3. Apresentação da genuína piedade mariana católica, sem sincretismos;
  • 4. Decoro no desfile da escola, sem exposição de nudez;
  • 5. Supervisão dos preparativos pelo Santuário de Aparecida e pela Arquidiocese de São Paulo”.

É possível estender os mesmos critérios a quaisquer outros “usos” da imagem da Padroeira do Brasil em contextos alheios à liturgia e à tradicional piedade católica.

Não há informações oficiais, entretanto, sobre eventual contato que possa ter sido feito com representantes da Igreja Católica no Brasil por parte dos organizadores da participação brasileira no referido concurso transexual na Tailândia.

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