PODEMOS BATER PALMAS NA MISSA, SIM OU NÃO?

Constantemente este tópico vem às conversas sobre liturgia. Palmas na Missa: Pode ou não?

Para responder esta pergunta, temos que ir a fundo. Não esperem uma resposta fácil como um trecho em um documento Litúrgico dizendo algo como “Se alguém bater palmas na Missa, seja anátema“. Isto não existe. Nenhum documento litúrgico oficial trata das palmas nas celebrações, e este gesto simplesmente não está previsto – o que já é um bom indício que não se deve fazer. Mas tem gente que insiste em fazer e defender…

Muitos dos defensores das palmas afirmam que não existe proibição explícita às palmas na Missa e por isso não é proibido. A verdade é que os livros litúrgicos são uma  parcela do que rege a Sagrada Liturgia. E uma parcela até bem pequena. Muitas coisas que vivemos na Liturgia e em nosso serviço não estão nos livros oficiais, mas são frutos da venerável Tradição Litúrgica do Rito Romano. A segunda regra de ouro para a Liturgia é esta: Para algo ser litúrgico, deve ao mesmo tempo estar de acordo com as regras dos Livros Litúrgicos e com a Tradição Litúrgica do Rito Romano. Simples assim. E aqui as palmas já morrem, pois não estão nos livros. Mas… E na Tradição Litúrgica?

As palmas na Missa sob a ótica da Tradição Litúrgica

Em nosso artigo sobre a Santa Missa, demos a visão católica sobre o que é, de fato, a Santa Missa: É a renovação do Sacrifício do Calvário. É, sobretudo, o culto perfeito de adoração a Deus. Então eu lhes pergunto: Para que bater palmas na Missa? Se a Missa é a Renovação do Sacrifício da Cruz e o banquete, ligado ao sacrifício no mais estreito vínculo [1], então por que colocar um elemento festivo e profano em algo sagrado?

A primeira regra de ouro da Liturgia é esta: Se algo não é conveniente de fazer no Calvário, não se deve fazer na Missa. E isto sempre foi algo muito vivo na cabeça dos fiéis. Mas, com o modernismo, as novidades pareceram irresistíveis, e colocar as palmas na Missa foi visto como um jeito de torná-la mais “dinâmica” e “participativa“, distorcendo completamente o conceito de actuosa participatio[2] que o Concílio desejava.

Diz-nos S. Leonardo de Porto-Maurício: Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.

Mas ainda assim tem gente que defende subjulgar a natureza sacrificial, diminuí-la, para exaltar a “celebração”, a “festa”, a alegria, e para isto fazem todo tipo de absurdos dentro da Missa. Isto é absolutamente contrário ao Espírito da Liturgia, e nós devemos resistir – embora caridosamente – a isso.

João Paulo II fez três duras críticas a esta postura. A primeira encontramos em sua carta apostólica Domenicae Caena, de 1980:

O mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal

 

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Isto é forte. Tirar da Missa a sua natureza sacrificial é simplesmente fazê-la deixar de ser Missa. É torná-la outra coisa qualquer, uma reunião de fiéis, um simples banquete, um simples grupo de oração – ou mesmo algo próximo a um culto protestante.

A segunda crítica veio na Redemptionis Sacramentum, que aliás todo católico deveria ler:

De forma muito especial, todos procurem, de acordo com seus meios, que o santíssimo sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a cumprir esta trabalho. (Número 183)

A terceira, na Ecclesia de Eucharistia, indica como deve ser feita a participação da comunidade que se une ao sacerdote:

O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso, mas expressivo o seu amor à Igreja. (num. 52)

Palmas são absolutamente irreverentes. Seja em aplausos – que são ainda piores – seja em palmas ritmadas com a música. Sobre isto, escreveu magistralmente Bento XVI quando ainda cardeal no fantástico “Introdução ao Espírito da Liturgia“:

Sempre que haja palmas pelos atos humanos na Liturgia, é sinal de que a natureza [da liturgia] se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso. (Pag 167)

Que tal, então, o prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino?

Quando vamos à Missa, não vamos para bater palmas, para admirar as pessoas, felicitá-las ou observá-las. Vamos para adorar a Deus, pedi-lo perdão pelos nossos pecados e pedirmos as graças que precisamos. [3]

Por fim, lembramos as palavras magistrais de nosso patrono, S. Pio X:

Não é certo que se aplauda o servo na casa do mestre.

Precisamos ser fiéis ao que recebemos da Igreja. Recebemos de Nosso Senhor que a Missa é a maneira como ele quer ser adorado. Que a Liturgia é sagrada e ninguém tem o direito de modificá-la. É necessário humildade e resolução. Sim. Bater palmas na Missa é errado, e não importa quantos liturgistas digam o contrário, isto está gravado em pedra na tradição litúrgica da Igreja, de saber que a Missa é, mais do que celebração, mais do que ceia ou banquete, a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz, onde se cale toda língua e se humilhe toda alma diante da grandeza do amor de Deus.

Sendo completamente sincero… A questão das palmas nem precisaria chegar nos livros ou na Tradição, mas é facilmente respondida pelo simples bom senso, algo que está em falta no mundo hodierno.

Mas e quando mandam bater palmas?

Muitas vezes passamos por situações onde nos constrangem a bater palmas. E é necessário saber resistir para não gerar conflitos, afinal não adianta defender a liturgia se for comprando briga com todo mundo.

A primeira coisa que você deve saber sobre isso é que você não deve obediência a ninguém quanto a cometer abusos na Liturgia. Mesmo o padre, agindo in Persona Christi, não tem o poder de lhe obrigar a bater palmas, dançar na Missa ou fazer qualquer outra coisa contrária as leis da Igreja.

É claro que você não vai comprar briga. Humildade sempre! Somos servos, não senhores da Liturgia. Se o padre ou qualquer outra pessoa desobedecer a Liturgia, isso não lhe dá motivos para desobedecer também. Se não bater palmas for causar inconvenientes, converse com respeito e humildade com o padre ou quem quer que seja e lhe esclareça sua posição. Ele provavelmente vai respeitar sua decisão. Caso, no entanto, a pessoa queira arrumar confusão por causa disso, reze e siga em frente, evitando o escândalo e sobrevivendo com calma e fortaleza às perseguições.

Referências:

[1] – Sagrada Congregação dos Ritos: Instrução sobre o culto do Mistério Eucarístico, 1967, Art. 3, b

[2] – Termo traduzido como “Participação Ativa dos Fiéis”

[3] – Boletim Adoremus; Vol. IX, no.7, Outubro de 2003

Fonte: Manual do Coroinha

Mais alguns argumentos sobre não bater palmas na missa:

Como muitas pessoas não entendem o porquê de não pode bater palmas na Santa Missa, nem mesmo ter danças, gritos, e músicas animadas e ritmadas, iremos aqui abordar este tema, o texto ficou um pouco longo, mas vale a pena ser lido. Nós não pregamos isso por mero “achismo”, mas este ensinamento é a FÉ da Igreja bimilenar, e que SEMPRE esteve na mentalidade dos Católicos, infelizmente a uns anos pra cá, isso foi se perdendo com o modernismo infiltrado na Igreja. E hoje infelizmente muitos fazem da Missa um Circo! O que é completamente errado. “Ah mas meu pároco permite, então tá tudo bem”

Não! Não está tudo bem! O pároco deve tanta obediência a Igreja quanto qualquer um de nós! E só por que muitos não são obedientes agora vamos segui-los? Iremos atrás de Judas ou dos outros 11 apóstolos? Saibam que Judas sempre teremos na Igreja, e portanto temos que ter discernimento para saber conhecê-los para não seguir suas desordens.

Enfim, vamos começar. O que é a Santa Missa?

R: A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

Por que dizemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário?

R. Porque na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Missa seja sem sofrimento físico.

Esse conceito é BÁSICO para entender o Motivo da proibição das Palmas e de danças e gritos.

Não se pode fazer na Missa NADA que você não faria se estivesse na Frente da Cruz de Cristo enquanto ele está crucificado e sofrendo, derramando seu sangue por amor a nós. Use o bom senso pergunte-se:

  • Eu dançaria enquanto Cristo chora de dor?
  • Eu aplaudiria na frente da cruz enquanto Cristo apanha dos soldados?
  • Nossa Senhora fez isso na frente da Cruz? E São João?

Não! Eles não fizeram! As outras perguntas faça-se a si mesmo, e imagine-se nessa cena. Pois bem: EIS AI O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA SANTA MISSA!

CALVÁRIO – Guarde bem esta Palavra. Missa significa CALVÁRIO. E não festa!!

Objeção de quem não conhece a Igreja a fundo: “Ah mas Cristo ressuscitou, então temos que fazer uma festa”

Resposta: A Igreja não tem dúvidas que Cristo ressuscitou. Sim Ele tá vivo! Mas na Santa Missa era vontade do Senhor que se lembrasse sua MORTE, e não sua ressurreição! Portanto a Missa é CALVÁRIO do Início ao fim!

Diz São Paulo: “Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a MORTE do Senhor, até que venha”. (1 Cor 11,26).

Por este motivo, a missa deve ser SILENCIOSA. Não deve haver Palmas, gritos, e “louvores” estridentes como nos cultos protestantes.
Algumas frases dos Santos que podem ajudar a compreensão:

“Eis o meio mais adequado para assistir com frutos a Santa Missa:
Consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.”

(São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto)

Veja o que disse três papas da Igreja:

São Pio X, que proibiu os aplausos que recebeu na Basílica de São Pedro, dizendo que “não é correto aplaudir o servo na casa do mestre“. 

Mais recentemente, o Papa Bento XVI explicou: “Sempre que começam aplausos na liturgia, devido a algum acontecimento humano, é um sinal certo de que a essência da liturgia desapareceu totalmente e foi substituída por uma espécie de entretenimento religioso».

Bater ou não bater palmas na Missa fará diferença em nossa vida espiritual?

Sim, fará. Lembram do ditado “lex orandi, lex credendi”? A lei da oração é a lei do que se crê?

Nossas atitudes na Missa refletem o que cremos a respeito dela, o conceito que da Missa temos. Assim, uma atitude pouco relacionada com o aspecto sacrifical da Santa Missa mostra que não temos assim tanta convicção de que seja realmente um sacrifício. Às vezes temos essa idéia de que é um sacrifício apenas no discurso, sem aprofundar realmente as conseqüências dessa fé.

As pessoas que querem uma Missa Animada, com gritos palminhas e inovações. Estão querendo agradar a seu próprio Ego! Lembrem-se que Deus é perfeito, e a perfeição não precisa de adaptações. Deus sendo sempre o mesmo desde a criação do mundo, nunca evoluiu, nunca muda, pois o perfeito não pode evoluir, sendo que já está no seu grau máximo de inteligência e perfeição. Sendo assim DISPENSA inovações.

Nós, seres Humanos falhos, e limitados, sempre estamos buscando mudanças, mas quando isso ocorre VEM DO HOMEM. Pois Deus não precisa de mudanças. A Missa deve ser sempre a mesma, o mesmo culto, com respeito, adoração de nossa parte. Quando alguém vai na missa buscando “ficar melhor” e se sentir bem, está buscando seu proveito Próprio e não buscando servir verdadeiramente o Senhor negando a si mesmo.

Vejam abaixo o atual e oportuníssimo comentário do S. Padre Bento XVI da Carta Apostólica do S. Padre e Beato João Paulo II – Domenica Coena – datado de 24/02/1980:

“A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado.”

Espero que tenha ficado mais claro o motivo da Igreja defender a Missa Silenciosa. Ela simplesmente sabe que é isso que agrada mais ao Senhor. Pois não vamos na missa para nos sentir bem, mas estamos a serviço de um Outro (Jesus).

Texto retirado da Internet

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