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Papa Francisco se recupera bem após cirurgia de 3 horas

 

A operação programada para curar uma estenose diverticular do cólon concluiu-se à noite. O Papa Francisco, de 84 anos, passou sua primeira noite na Policlínica Gemelli, em Roma, onde está se recuperando da operação por um problema de cólon a que foi submetido no domingo, segundo o Vaticano.

A cirurgia a que o Papa Francisco foi submetido terminou à noite. Isso foi anunciado pelo diretor da Assessoria de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.

“O Santo Padre, internado à tarde no Hospital A. Gemelli, foi submetido à noite a uma operação cirúrgica programada para tratar uma estenose diverticular do cólon”. 

“O Santo Padre – explicou Bruni – reagiu bem à operação conduzida com anestesia geral pelo Prof. Sergio Alfieri, com a assistência do Prof. Luigi Sofo, do Dr.. Antonio Tortorelli e da Dra. Roberta Menghi.”

“A anestesia foi feita pelo Prof. Massimo Antonelli, pela Professora Liliana Sollazzi e pelos doutores Roberto De Cicco e Maurizio Soave. Também estavam presentes na sala cirúrgica o Prof. Giovanni Battista Doglietto e o Prof. Roberto Bernabei”.

Fontes hospitalares, citadas pela mídia local, dizem que a cirurgia durou três horas, das19h às 22h locais (17:00-20.00 GMT), e que Francis deve permanecer internado por pelo menos cinco dias antes de receber alta.

Doença comum entre idosos

Segundo especialistas do sistema digestivo, o objetivo desse tipo de cirurgia é reduzir os problemas causados pelo diverticula, que são pequenas hérnias na parede do cólon com amplo espectro de manifestações clínicas, incluindo hemorragia, inflamação (diverticulite) ou complicações associadas a ele (obstrução ou perfuração).

A doença do cólon diverticular é muito comum na sociedade ocidental e afeta quase 65% da população aos 85 anos,segundo as mesmas fontes.

O QUE É ESTENOSE DIVERTICULAR DO CÓLON?

A estenose acontece quando pequenas “bolsas” aparecem na parede do intestino. Normalmente, isso ocorre por conta do enfraquecimento dos tecidos, algo comum com a idade, e essas “bolsas” são dos divertículos.

Segundo Gustavo Benevides, que é médico endoscopista, a doença deve ser compreendida. “Imagine o intestino como uma mangueira – a estenose seria o estreitamento dessa mangueira. Quando isso ocorre, o trânsito intestinal e, portando o ato de defecar, fica mais difícil, o que leva a distensão do abdômen e a quadros de dor em cólica recorrentes”, pontua.

A forma de apresentação da doença é diversa. Enquanto alguns idosos não têm sintomas, outros podem sentir dor ou até mesmo desenvolver complicações.

Assim, com uma inflamação, é necessário fazer tratamentos com remédios. Caso ocorra perfuração ou sangramento por uma diverticulite, uma cirurgia deve ser feita. “Vai ser necessário quando existem sintomas pronunciados ou quando o estreitamento é tão intenso ao ponto de dificultar muito a defecação”, reitera Benevides. 

Como as inflamações deixam cicatrizes, a parede da pele fica mais grossa, causando o estreitamento do órgão e configurando a estenose.

QUAIS OS SINTOMAS DA DOENÇA?

Como já dito, nem sempre os divertículos vão causar sintomas. Entretanto, quando a estenose ocorre, as fezes enfrentam dificuldade para ter passagem no estômago, tornando a dor cada vez mais frequente.

cirurgia, nesses casos, pode ser conduzida da maneira mais rápida possível. Porém, este não é o caso de Francisco, já que, segundo o Vaticano, o procedimento estava agendado. 

COMO OCORRE A CIRURGIA?

A cirurgia para corrigir a estenose é algo comum, como apontam especialistas. Mesmo com os riscos habituais de um procedimento em pessoas com idade avançada, não se define como algo grave.Geralmente, um corte no intestino pode ser feito para retirar o pedaço mais estreito, abrindo passagem entre as outras duas extremidades.

Conforme recomendações médicas, o Papa Francisco pode ficar em recuperação no hospital de cinco a sete dias corridos.

“Quando a cirurgia é eletiva e o paciente consegue uma preparação adequada, como no caso do Santo Padre, o risco cirúrgico diminui muito”, explica Gustavo Benevides. Dessa forma, ele também aponta, é necessário ficar atento no período após a cirurgia.

“O maior risco pós-cirúrgico é o aparecimento de fístula, um vazamento da emenda, mas esse é uma complicação infrequente”, finaliza o profissional.