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Padre se retrata após ministrar a comunhão para prefeita homossexual e não católica

Um capelão da polícia de Chicago, nos Estados Unidos, lamentou ter dado por engano a Eucaristia à prefeita da cidade, Lori Lightfoot, cristã não católica unida a outra mulher.

Em entrevista à CNA, agência em inglês do Grupo ACI, o padre Dan Brandt disse que momentos antes da comunhão, o celebrante principal, cardeal Blaise Cupich, lhe pediu que ajudasse ministrando a Eucaristia aos fiéis.

O sacerdote contou que ficou nervoso quando viu a prefeita no início da fila da comunhão, na missa do funeral da policial Ella French, que morreu em um tiroteio durante uma blitz.

Assista no vídeo abaixo:

Imagens da missa de 19 de agosto mostram a prefeita de Chicago, Lori Lightfoot, retornando após receber a comunhão das mãos do padre Dan Brandt, capelão católico do Departamento de Polícia de Chicago.

“Sabe, eu sou culpado disso e estou mortificado”, afirmou.

O padre Brandt disse que ele não devia ter dado a Eucaristia à prefeita. No entanto, “no último segundo, o cardeal Cupich disse: ´durante a Comunhão, vou ficar sentado. Você ocupe o meu lugar”, e frisou que durante o fim de semana estava “muito distraído, estava dormindo muito pouco”.

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“De qualquer forma, estou inventando desculpas… mas sim, ela veio, e eu coloquei a Sagrada Hóstia na mão dela e disse, ´Oh!`, e é claro, já era tarde demais. Fiquei pensando assim: ´meu Deus, tenha piedade de mim`”, lamentou.

O sacerdote se desculpou profundamente por “qualquer escândalo que minha distração possa ter causado” e disse que “não foi intencional e desejaria ter tido a mente mais clara naquele momento”.

“Ou melhor, desejaria que o cardeal tivesse ministrado a Comunhão, porque eu só estava pensando em voltar e sentar-me para me preparar para o que faltava da missa e para a procissão”, afirmou.

“Não posso me desculpar o suficiente com os fiéis que estão incomodados pelo fato de que ela recebeu a Eucaristia. Isso dependia totalmente de mim e o reconheço”, disse o padre. “Foi um erro e rezo para que seus leitores tenham a mesma misericórdia que espero que o Senhor tenha comigo”, acrescentou.

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O cardeal Cupich celebrou a missa na igreja católica de santa Rita de Cássia para pedir pela alma policial de 29 anos, morta a tiros ao cumprir seu dever em uma blitz no dia 7 de agosto.

Em sua homilia, o cardeal contou que a policial Ella French tinha três anos no Departamento de Polícia de Chicago e foi uma “mulher empática com o sofrimento dos demais” e “generosa até o ponto de dedicar sua vida a fazer a diferença no mundo”.

A prefeita Lori Lightfoot estava sentada nas primeiras bancas da igreja durante a missa e foi a primeira na fila da Comunhão como pode ser visto na transmissão ao vivo da missa.

De acordo com a associação de ex-alunos de Washington High School, sua alma mater, Lightfoot é membro da Igreja de St. James AME Zion, em sua cidade natal de Massillon, Ohio, que pertence a uma comunidade eclesial metodista.

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A mesma página identifica Lightfoot como fundadora da Christ the King Jesuit High School, que serve pessoas desfavorecidas da comunidade afro-americana no lado oeste de Chicago. Um porta-voz da prefeita confirmou que ela não é católica.

Lightfoot é a primeira prefeita abertamente homossexual de Chicago, bem como a primeira mulher afro-americana a ocupar o cargo. Está casada com Amy Eshleman, com quem tem uma filha.

Durante uma coletiva de imprensa após a missa de quinta-feira, Lightfoot, considerada contrária ao departamento de polícia por vários críticos, disse que espera que sua presença no funeral seja considerada uma “simples, mas bela expressão de solidariedade e apoio à família French”.

Segundo a lei canônica, para que um protestante receba a Eucaristia, deve haver incapacidade de se aproximar a um ministro da sua própria comunidade, expressar adesão à fé católica e respeito aos sacramentos e respeitar as prescrições necessárias para recebê-los.

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Para receber a Eucaristia, é necessário não estar em pecado mortal e ter uma devoção real ao sacramento. Segundo o dogma, o estado de graça é necessário para a recepção digna da Eucaristia.

Além do perigo de morte, cabe ao bispo diocesano ou à conferência episcopal julgar a existência ou não de uma “grave necessidade” para a administração da Comunhão.

Segundo um documento de 1972 da Santa Sé, que orienta a interpretação do cânone, seriam casos de “grave necessidade” que possibilitam a administração da Comunhão aos protestantes situações tais como encarceramento, perseguição e movimentos de população em grande escala que resultem em cristãos “espalhados em regiões católicas”.

O vademecum ecumênico emitido em 2020 pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos deu uma orientação aos bispos para o discernimento da “grave necessidade”, afirmando que “os sacramentos nunca podem ser compartilhados por mera cortesia. É preciso agir com prudência para não causar confusão ou escândalo nos fiéis”.

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A mãe de Ella, Elizabeth French, que adotou a filha através da Catholic Charities, esteve entre os que falaram ao final da missa fúnebre. “Hoje estou aqui com o coração partido”, disse ela. “Ela era uma jovem incrível”, acrescentou.

Ela também agradeceu a presença de todos os membros das forças de segurança e disse que sua filha estava muito orgulhosa de ser parte da polícia.

Outro policial da cidade, Carlos Yáñez Jr., também sofreu ferimentos graves durante a blitz e ainda está hospitalizado.

Fonte ACI Digital

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