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Padre Nazareno Lanciotti é proclamado beato, mártir do Brasil

Padre Nazareno Lanciotti foi beatificado neste sábado, dia 13 de junho na cidade de Jauru (MT), na presença de milhares de fiéis provenientes de toda a região. A cerimônia foi realizada no Santuário Imaculado Coração de Maria e foi a primeira beatificação no estado.

Padre Nazareno é mais um mártir a ser elevado aos altares. Padre Nazareno Lanciotti atuou em Jauru (MT) a partir de 1972, onde fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e ficou conhecido pelo trabalho evangelizador e social. Denunciou crimes como exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas. Foi assassinado em 2001 após ser baleado em casa. A cerimônia foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Bida Apostólica.

Por VaticanNews – Um novo mártir é elevado aos altares brasileiros. Padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou sua vida ao Brasil, será beatificado no dia 13 de junho, em uma cerimônia na cidade de Jauru (MT), onde atuou por 30 anos, até ser martirizado em 2001.

Nascido em Roma, na Itália, em 03 de março de 1940, Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966. Em 1971, chegou ao Brasil como missionário, fixando-se em Jauru, onde exerceu um fecundo apostolado e marcou a vida de quem o conheceu. Prova disso é Osvaldo Piva. Amigo do novo beato, ele recorda traços marcantes da biografia do religioso.

“Ele era muito travesso quando criança, mas entrou no seminário e aprendeu silêncio, oração e obediência. Ele tinha uma grande devoção à Nossa Senhora e a Jesus Eucarístico. E ele pediu duas coisas para Nossa Senhora, quando foi ordenado padre: viver a pureza e não estar apegado ao dinheiro”, testemunha Piva.

Uma das características mais fortes do sacerdote era a confiança na Providência de Deus. Vivendo em uma paróquia que sequer possuía luz elétrica ou meios para se comunicar, Padre Nazareno nunca se deixou abater.

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“Ele construía muitas coisas, ele era um fazedor, assim, de coisas. E aí, não tinha dinheiro. Chegava no dia, tinha que pagar sete mil e quinhentos reais de tijolos, cimento e tal. Chegava um pagamento na conta dele, vindo de ele não sabe de onde. A Divina Providência nunca deixou ele sozinho”, recorda o amigo.

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Um beato amigo e próximo

Otávio fala com a experiência de quem conviveu lado a lado com o novo beato. Todas as semanas, um telefonema ou uma visita fizeram crescer a amizade com um mártir do nosso tempo.

“A gente conversava muito no telefone, ele vinha na minha casa, eu ia lá para Jaurú, ficava na casa dele. Ele recebia meus filhos no mês de dezembro, (durante) todo mês. E ele me ajudou muito. Quando eu o conheci, ele era um italiano duro. Eu falei: nossa, eu vou me confessar com ele, ele vai me dar uma bronca. Mas, na confissão, ele se transformava em Jesus Eucarístico. Uma beleza, uma maravilha. ‘A confissão é você ser um filho pródigo que volta para o Pai’, ele dizia. Isso me marcou muito”, comenta emocionado.

O Movimento Sacerdotal Mariano

A convivência dos dois se estreitou graças ao Movimento Sacerdotal Mariano, do qual padre Nazareno foi diretor para o Brasil. Otávio, por sua vez, hoje é representante leigo nacional, e se recorda com carinho das marcas que o Movimento deixou na vida do mártir.

“Ele já tinha toda a espiritualidade do Movimento, na alma, no coração, na vida. Ele era mariano e eucarístico, gostava de confessar e fazia muita penitência. Então, toda a nossa espiritualidade da pequenez, da infância espiritual, de consagrar-se ao Coração de Maria, de viver no abandono, na confiança total, é uma nossa característica”, explica.

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Fiel até o martírio

Foi este abandono total a Deus que o fez se dedicar aos mais pobres e abandonados. Na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, onde trabalhou, criou uma instituição beneficente para oferecer atendimento médico às pessoas em situação de vulnerabilidade. Realizou ainda ações junto aos trabalhadores e suas famílias, lutando contra o tráfico de drogas e a prostituição.

Em retaliação ao seu trabalho pastoral, dois homens encapuzados invadiram sua casa, na noite do dia 11 de fevereiro de 2001. Um deles deu um tiro na nuca do sacerdote, atingindo sua quarta vértebra. Padre Nazareno Lanciotti morreu no dia 22 de fevereiro, aos 61 anos, não sem antes perdoar seus assassinos. Sinal de uma vida ofertada a Deus, a exemplo da Virgem Maria.

“O segredo da santidade do Padre Nazareno foi Nossa Senhora, que o levou a adorar Jesus e reviver Jesus no Calvário. Esse foi o segredo dele. Se consagrou a Nossa Senhora, Nossa Senhora tomou posse dele, fez dele um novo Jesus. Eucarístico, místico, adorador e, depois, ele foi mártir. Ou seja, deu a vida. Como Jesus deu a vida, ele também deu a vida”, afirma Piva.

Padre Nazareno teve sua morte por ódio à fé reconhecida pela Igreja no dia 14 de abril de 2025, no último martírio promulgado durante o pontificado do Papa Francisco. A cerimônia de beatificação acontece no sábado, 13 de junho, na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru (MT), a partir das 10h. A celebração será presidida pelo cardeal brasileiro dom João Braz de Aviz, em nome do Papa Leão XIV. 

Beato Nazareno

Padre Nazareno nasceu no dia 3 de março de 1940, em Roma, no seio de uma família humilde e cristã. Ingressou muito jovem no seminário, onde estudou Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1966. Até 1971, serviu como pároco auxiliar na Paróquia de São João Crisóstomo, em Roma.

Após conhecer a Operação Mato Grosso, em 1971, com a permissão de seu bispo, viajou para o Brasil, para o estado de Mato Grosso. No ano seguinte, estabeleceu-se em Jauru – MT, no extremo noroeste do Brasil, na fronteira com a Bolívia, onde iniciou um frutífero apostolado servindo a toda população, sustentado pela Eucaristia e pela devoção à Virgem Maria.

Superando inúmeros obstáculos, despertou a fé de jovens e adultos por meio do Movimento Sacerdotal Mariano. Todos os anos, durante os festejos de Carnaval, promovia retiros espirituais com os membros do movimento.

Em 1973, fundou o Asilo Coração Imaculado de Maria. Preparou um centro de catequese, facilitando o ensino da religião para as crianças. Lutou pela construção de um hospital, pois se comovia com o número de crianças que morriam na região.

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Prestativo e visionário, em 1974 iniciou a construção da Igreja Nossa Senhora do Pilar. A inauguração foi celebrada no ano seguinte. Em razão do aumento no número de fiéis, durante algumas missas e cerimônias era necessário utilizar os arredores da igreja. Contudo, para atender melhor à comunidade, Padre Nazareno decidiu criar o Santuário Imaculado Coração de Maria.

Em 1981, ajudou a fundar o Seminário Menor em Jauru, disponibilizando um centro de treinamento. Em 1988, foi nomeado responsável nacional do Movimento Sacerdotal Mariano (MSM).

Também se dedicou aos mais pobres e se engajou na luta contra várias formas de injustiça e opressão, como a prostituição e o tráfico de drogas. Seu trabalho pastoral revelou-se incômodo e na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto terminava o jantar com alguns colaboradores, foi gravemente ferido por dois criminosos encapuzados que entraram em sua casa. Faleceu em 22 de fevereiro, aos 61 anos.