A obra que o Servo de Deus Padre Júlio Maria Lombaerde desenvolveu, com a proteção de Deus e apesar das perseguições constantes movidas pela Maçonaria, é uma prova palpável da divindade da sua missão. Um polemista sem par, teólogo exímio, pregador admirável, escritor de renome, teve sempre sua pena e sua rara inteligência a serviço da Igreja e pelo seu [jornal] “O Lutador” se fez o “terror dos hereges”.
Por ACI Digital – O papa Leão XIV promulgou hoje (18) decreto que reconhece as virtudes heroicas do servo de Deus padre Júlio Maria De Lombaerde, sacerdote belga que foi missionário no Brasil. Com o reconhecimento, padre Júlio passa a ser venerável e é necessário um milagre pela intercessão dele para ser beatificado.
O agora venerável padre Júlio Maria De Lombaerde é fundador de três congregações: Filhas do Coração Imaculado de Maria (Irmãs Cordimarianas), Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.
O Instituto Padre Júlio Maria De Lombaerde, que promove a causa de beatificação e canonização do sacerdote, ressaltou que o decreto de Leão XIV “é um atestado oficial do Vaticano de que essa pessoa não apenas foi boa, mas que viveu as virtudes como fé, esperança, caridade, justiça, prudência, temperança, fortaleza, bem como os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade, de forma heroica, à custa do Amor e Sacrifício, lema, do Venerável, legado às suas congregações”.
Padre Júlio Maria De Lombaerde
O padre Júlio Maria De Lombaerde nasceu em 7 de janeiro de 1878, em Beveren-Leie, região de Waregem, Bélgica. Foi batizado e registrado no cartório civil no dia seguinte. Seu nome de batismo era Júlio Emílio Alberto De Lombaerde.
Segundo a biografia do sacerdote, publicada no site do Instituto que leva o nome dele, Júlio “viveu em uma época e meio, em que era grande o entusiasmo pelas missões estrangeiras”. Quando ainda não tinha completado nem 17 anos, “o desejo missionário lhe irrompeu dentro do coração”. Mas, não pensava em ser sacerdote, apenas “consagrar a vida à salvação das almas dos infiéis”.
Ele estudava no Colégio São José, de Torhout, quando um bispo da África falou aos estudantes sobre a situação “de extrema pobreza e ignorância religiosa” no continente africano e pediu ajuda para seu trabalho de evangelização. Tocado pelas palavras daquele bispo e “ainda mais pela graça de Deus”, Júlio não resistiu mais e “viu que a melhor esmola que poderia dar seria sua própria vida”.
Terminado o ano escolar, seguiu para a Casa de Missões “São Carlos”, dos Padres Brancos (Missionários de Nossa Senhora da África), em Boxtel, Holanda, em dezembro de 1894. Em outubro do ano seguinte, partiu para Maison Carrée, Argel, Capital da Algéria, onde estava a Casa Central de Formação dos Padres Brancos. Entrou para o noviciado como irmão leigo missionário e recebeu o nome Ir. Optato Maria. Depois que concluiu o noviciado, foi enviado para várias frentes missionárias da congregação e trabalhou por seis anos no continente africano.
Mas, Júlio foi acometido por repetidas febres. Viu também nascer em seu coração outro projeto vocacional: sentiu que poderia fazer mais pelo povo como padre. Antes de tomar qualquer decisão, porém, “pensou em fazer um voto à Nossa Senhora”: “se ela o curasse, seria esta a vontade explícita de Deus”.
Uma vez curado miraculosamente, pediu permissão aos seus superiores e entrou em contato com o padre João Batista Berthier, MS que tinha fundado uma congregação para as vocações tardias na Holanda, os Missionários da Sagrada Família. Em fevereiro de 1902, ingressou nessa congregação. Foi ordenado padre em 13 de junho de 1908. Dois anos depois, foi nomeado para a fundação de um Seminário da Congregação em Wakken, Bélgica, onde também se dedicava à pregação de missões.
Em 1912, padre Júlio foi nomeado para as missões no Brasil. Chegou a recife (PE), em 15 de outubro daquele ano. Passou um tempo em Natal (RN) e depois foi para Macapá (AP), onde chegou em 27 de fevereiro de 1913.
Em Macapá, diz a biografia dele, padre Júlio se entregou, “de corpo e alma, às tarefas missionárias, sem jamais secundarizar a vida espiritual, por isso, em pouco tempo, transformou aquela paróquia”. Vendo a necessidade de “operários para a messe”, fundou, com a aprovação do bispo de Santarém (PA), a Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, as Irmãs Cordimarianas, em 1916. Em 1923, transferiu a casa e o governo das religiosas e o noviciado para Icoaraci, subúrbio de Belém (PA).
Mais tarde, cresceu em seu coração o desejo de fundar um ramo masculino das irmãs cordimarianas, mas não teve aprovação do arcebispo de Belém.
O bispo de Caratinga (MG), om Carloto Fernandes da Silva Távora, ficou sabendo desse projeto e convidou o padre Júlio a fazer a fundação em sua diocese.
Em 1926, o padre Júlio foi transferido para Natal, onde sua congregação pediu que ficasse até que pudessem enviar mais um padre para lá. Foi só dois anos depois que padre Júlio foi liberado para seguir para Manhumirim (MG), aonde chegou em 24 de março de 1928.
Na cidade mineira, o sacerdote deu início à fundação da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, conhecidos como Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, erigida canonicamente em 25 de março de 1929. Em 24 de dezembro do mesmo ano, aconteceu a fundação das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.
Padre Júlio Maria também fundou o jornal O Lutador, colégios, hospitais, patronatos, albergues para idosos. Foi um grande defensor da Igreja, escreveu mais de 80 livros de espiritualidade, em defesa da Igreja e de divulgação, em linguagem popular, da teologia da Igreja.
Morreu em um acidente de carro na tarde de 24 de dezembro de 1944, em Vargem Grande, hoje distrito Pe. Júlio Maria, em Alto Jequitibá (MG). Seus restos mortais estão no santuário do Senhor Bom Jesus de Manhumirim.
A fase diocesana do processo de beatificação do padre Júlio Maria De Lombaerde teve início em 24 de janeiro de 2015, na diocese de Caratinga.
Quem conheceu padre Júlio, diz a biografia dele, o tem “como santo”, porque “era um homem inteiramente de Deus, de muita oração, de um amor acendrado à Eucaristia, à Nossa Senhora e à Igreja, uma alma contemplativa, de um admirável zelo apostólico”.
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Outros decretos
Ao receber o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, em audiência na manhã de hoje, o papa Leão XIV também autorizou a promulgação dos decretos que reconhecem:
– o martírio dos servos de Deus Juan Torres Torres e 19 companheiros, sacerdotes diocesanos, mortos entre agosto e setembro de 1936, por ódio à fé, no território da diocese de Ibiza, Espanha, no contexto da mesma perseguição;
– as virtudes heroicas da serva de Deus Maria Teresa Tallon (nascida Julia Teresa), fundadora da Congregação das Visitadoras Paroquiais de Maria Imaculada. Nasceu em 6 de maio de 1867, em Hanover, EUA, e morreu em 10 de março de 1954, em Monroe, EUA;
– as virtudes heroicas da serva de Deus Maria Agnese Tribbioli, religiosa professa e fundadora da Congregação das Irmãs Pias Operárias de São José, nascida em 20 de abril de 1879, em Florença, Itália, onde morreu em 27 de janeiro de 1965;
– as virtudes heroicas da serva de Deus Clara Andreu y Malferit (nascida Barbara Onofria), monja professa do Mosteiro dos Jerônimos de San Bartolomeo de Inca. Nasceu em 4 de dezembro de 1596, em Palma de Maiorca, Espanha, e morreu em 24 de junho de 1628, em Inca, Espanha;
– as virtudes heroicas da serva de Deus Maria Petra Giordano (nascida Nicoletta), monja professa da Ordem das Pregadoras. Nasceu em 4 de julho de 1912, em Nápoles, Itália, e morreu em 21 de junho de 2006, em Bibbiena, Itália.
Oração pela beatificação do venerável servo de Deus padre Júlio Maria De Lombaerde
O Instituto Padre Júlio Maria de Lombaerde publicou a oração pela beatificação do sacerdote, que tem aprovação eclesiástica do bispo emérito de Caratinga, dom Emanuel Messias de Oliveira.
Ó Trindade Santa, vós que sois a fonte de toda santidade, nós vos louvamos por vosso servo Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que, assemelhando-se ao Cristo Eucarístico, cuidou do vosso rebanho com amor, zelo e doação.
E, deixando-se guiar pelo Espírito Santo, assim como a Virgem Maria, testemunhou a ternura missionária da Igreja. Concedei-me, ó Trindade Santa, pela intercessão do Venerável Júlio Maria, a graça que vos suplico [pedir a graça]. E, se for de Vossa santa vontade, dai que o Venerável Júlio Maria alcance a honra dos altares, para a Vossa glória e para o bem de tantas almas. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
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[Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.]
Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento,
Rogai por nós que recorremos a Vós!
Venerável Júlio Maria De Lombaerde,
Intercedei por nós!



