O Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, D. Osório Citora Afonso, foi assassinado na manhã deste sábado, depois de ter sido atacado a tiro. Tinha 54 anos.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou, na manhã deste sábado, o assassinato do Bispo da Diocese de Quelimane, citado pelo Jornal de Notícias de Moçambique.
Segundo informações preliminares, avançadas pelo porta-voz do SERNIC na Zambézia, Máximo Amílcar, D. Osório Citora Afonso foi atingido mortalmente por um disparo de arma de fogo do tipo AKM, no peito, alegadamente a curta distância. O corpo foi encontrado no corredor.
As autoridades indicam que os autores do crime terão violado a cerca eléctrica do Paço Episcopal antes de se introduzirem no interior do recinto para executar o ataque. Até ao momento, não há suspeitos detidos.
“Bárbara assassinato”, diz o Bispo de Tete
Estas informações foram também confirmadas pelo Bispo de Tete, D. Diamantino Antunes, em depoimento à Renascença.
“A sua morte violenta deixou todos nós muito surpreendidos e apreensivos”, sublinhou. “Esperamos que sejam esclarecidas o quanto antes das razões deste bárbaro assassinato”, acrescentou.
D. Diamantino Antunes diz ainda que pela primeira vez “um bispo é vítima da fúria assassina de pessoas de má vontade”.
PRECISAMOS MUITO DA SUA AJUDA. PARTICIPE DA NOSSA RIFA.
CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA PARTICIPAR. 👇

CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA PARTICIPAR. ☝️
O Bispo de Tete descreve D. Osório Citora Afonso como “inteligente, alegre com grande experiência internacional”. “Tinha muito a dar à sociedade moçambicana”, acredita.
Antes, o falecimento tinha sido anunciado pela diocese local em comunicado. Dom Osório “foi encontrado sem. vida, caído no corredor do Paço Episcopal de Quelimane”.
“Estamos todos sem palavras. Estou a utilizar este meio para vos comunicar isto, apesar das suas limitações”, lê-se no mesmo comunicado, assinado pelo padre Cassiano Kalima. “
Rezamos pelo seu descanso eterno, pela sua família biológica, e pela Igreja Católica em Moçambique. Por intercessão de Nossa Senhora da Consolata e de São José, que descanse em paz”.
Há menos de um ano que era Bispo em Quelimane
Na mesma missiva promete-se mais detalhes em breve. Será celebrada uma missa às 18h00 locais, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, na Sé Catedral de Queliame.
Segundo os meios de comunicação social locais, D. Osório Citora Afonso era natural do distrito de Ribáuè, na província de Nampula, onde nasceu a 6 de Maio de 1972, e pertencia à congregação dos Missionários da Consolata.
Fez a profissão solene em 2001, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, e foi ordenado sacerdote a 3 de Novembro de 2002.
Por decisão Papa Francisco, Dom Osório Citora Afonso havia sido nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Maputo, com a sede titular de Puzia da Numídia.
No final de 2025, foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane e, recentemente, o Papa Leão XIV confiou-lhe igualmente a administração apostólica da Arquidiocese da Beira, após aceitar a renúncia de Dom Cláudio Dalla Zuanna por motivos de saúde.
Comunicado Fúnebre
Queridos irmãos Arcebispos e Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique, amados fiéis católicos e todo o querido povo moçambicano, é com profunda dor que vos comunico que, esta manhã, na residência episcopal de Quelimane, foi encontrado sem vida e em circunstâncias estranhas ainda por esclarecer, o nosso irmão Dom Osório Citora Afonso, Bispo da mesma Diocese e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. Neste momento muito conturbado, apelo à serenidade da fé e à solidariedade fraterna, na esperança de podermos dar, oportunamente, as informações certas e pormenorizadas sobre o triste acontecimento.
Paz à alma do nosso irmão D. Osório.
Dom Inácio Saure, IMC
Arcebispo de Nampula e Presidente da CEM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Leão XIV se diz triste pelo assassinato de bispo em Moçambique
“O papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave ato de violência que causou a morte de Sua Excelência, dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico de Beira”, diz a sala de Imprensa da Santa Sé. Dom Afonso foi encontrado morto em sua residência episcopal depois de um ataque armado na madrugada de sábado (6), em Moçambique.
O papa “une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação, para que o Senhor lhes conceda consolo, para que guarde em seu amor cada homem e cada mulher e detenha a mão dos violentos”, continua a nota.
Segundo informações divulgadas em coletiva de imprensa pelos responsáveis pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, o bispo foi atingido por disparos na região do tórax, sem chance de sobrevivência. As circunstâncias e a motivação do crime ainda são desconhecidas.
O porta-voz da polícia, Maximino Amílcar, disse que a vítima foi baleada dentro de sua própria casa.
“Um número ainda indeterminado de agressores conseguiu entrar na residência do bispo e abriu fogo, atingindo dom Osório no peito”, disse.
As autoridades iniciaram uma investigação para esclarecer o crime e identificar os responsáveis.
O arcebispo de Nampula, Inácio Saúre, presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, manifestou seu profundo pesar pela morte de Osório. Segundo ele, o bispo foi encontrado em “circunstâncias estranhas que ainda precisam ser esclarecidas”.
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
“Neste momento difícil, apelo à serenidade da fé e à solidariedade fraterna, com a esperança de poder fornecer informações precisas e detalhadas sobre este triste acontecimento em tempo oportuno. Que a alma do nosso irmão, o bispo Osório, descanse em paz”, concluiu.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Segundo a ACI África, agência de notícias da EWTN, dom Osório havia se manifestado recentemente contra a violência na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Em 12 de maio, ele alertou para a escalada dos ataques de insurgentes islamistas na região, que continuam matando civis, destruindo comunidades e deslocando milhares de pessoas.
“A situação parece estar fora de controle. Os ataques continuam acontecendo nas mesmas áreas e a população está aterrorizada”, disse dom Osório à Agência Fides em 12 de maio.
Dias depois, em 23 de maio, o bispo voltou a pedir medidas urgentes para pôr fim à violência em Cabo Delgado, alertando que pessoas inocentes, incluindo cristãos, continuam sofrendo e morrendo em consequência dos ataques.
“É preciso pôr fim à violência para que nossos irmãos e irmãs não continuem a morrer como galinhas. Não queremos isso”, disse durante uma visita pastoral à paróquia Nossa Senhora de Fátima, na diocese de Quelimane.
DECLARAÇÃO DOS BISPOS CATÓLICOS DE ÁFRICA SOBRE O TRÁGICO
ASSASSINATO DE DOM OSÓRIO CITORA AFONSO, BISPO DE QUELIMANE E
ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA ARQUIDIOCESE DE BEIRA
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5, 6).
Nós, bispos católicos de África, recebemos com profundo choque, tristeza e
indignação a notícia do violento assassinato do Dom Osório Afonso na sua
residência episcopal em Quelimane, Moçambique.
Este acto hediondo, cometido contra um pastor do povo de Deus, constitui não
só um atentado à vida e à dignidade de um servo devoto do Evangelho, mas
também um atentado aos valores fundamentais da paz, da justiça, da dignidade
humana e da liberdade religiosa, princípios essenciais para o bem-estar e o
desenvolvimento de qualquer sociedade.
Condenamos veementemente e sem reservas este crime bárbaro. Nenhum líder
religioso, independentemente da sua fé ou denominação, deve ser alvo de
violência. Aqueles que dedicam a sua vida a servir a Deus e a promover a
reconciliação, a solidariedade, a educação, a caridade e o bem comum
merecem protecção e respeito, e não perseguição e morte.
Em nome do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar
(SCEAM), apelamos ao Governo da República de Moçambique e a todas as
autoridades competentes para que realizem uma investigação imediata,
completa, transparente e independente sobre este crime. Exigimos que todos
os responsáveis, sejam eles autores diretos, cúmplices ou mentores, sejam
identificados, processados e levados à justiça sem demora. O povo de
Moçambique, a Igreja Católica e a Comunidade Internacional merecem a
verdade.
Apelamos ainda às autoridades moçambicanas para que reforcem as medidas
de proteção e segurança dos líderes religiosos, dos locais de culto e de todas as
pessoas que se dedicam ao trabalho pastoral e humanitário. O Estado tem a
solene responsabilidade de garantir que todos os cidadãos possam praticar a
sua fé livremente e em segurança, sem receio de intimidação, violência ou
perseguição.
Neste momento de dor, expressamos as nossas mais profundas condolências e
solidariedade espiritual á Conferência Episcopal de Moçambique ao Clero, os
religiosos/as e os fiéis leigos/as da Diocese de Quelimane e Arquidiocese da
Beira, aos s membros da Congregação religiosa de Dom Osório Afonso, á sua
família biológica, familiares e entes queridos e a todos aqueles que foram
tocados pelo seu ministério pastoral e testemunho.
Unimo-nos a eles no luto pela perda de um pastor fiel, cuja vida foi dedicada
ao serviço de Cristo e da Sua Igreja. Rogamos para que o Senhor da Vida lhe
conceda o descanso eterno, recompense o seu ministério fiel e console todos
os que choram a sua partida.
Que este trágico acontecimento sirva de renovado apelo à justiça, à paz, ao
respeito pela vida humana e à protecção da liberdade religiosa em Moçambique
e em todo o nosso continente.
Concedei-lhe, Senhor, o descanso eterno, e que a luz perpétua o ilumine. Que
descanse em paz.
Acra, Gana, 06 de Junho de 2026
† Cardeal Fridolin Ambongo
Arcebispo de Kinshasa
Presidente do SCEAM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


