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Bispos desafiam Vaticano e criam liturgia para abençoar uniões homossexuais na Bélgica

Os bispos católicos da Bélgica anunciaram hoje (20) a introdução de uma liturgia de bênção para uniões do mesmo sexo nas dioceses do país, apesar da proibição explícita da Santa Sé.

Os bispos de Flandres publicaram uma liturgia para a celebração das uniões homossexuais. “Ao fazer isso, eles vão diretamente contra a Santa Sé”, informou o jornal local Nederlands Dagblad.

A Santa Sé publicou um esclarecimento oficial em março de 2021 afirmando que a Igreja Católica não tem poderes para dar bênçãos litúrgicas às uniões homossexuais porque “mão pode abençoar o pecado.

Alegando estar baseado na exortação do papa Francisco Amoris laetitia, o cardeal Jozef De Kesel, bispo de Mechelen-Bruxelas, e outros bispos da parte flamenga da Bélgica divulgaram hoje o documento “Estar pastoralmente próximo aos homossexuais: por uma Igreja acolhedora que não exclua ninguém”.

O número 250 da Amoris laetitia, publicada em 2016, diz que às famílias “deve-se assegurar um respeitoso acompanhamento, para que quantos manifestam a tendência homossexual possam dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida”.

O documento publicado pelos bispos belgas contém uma sugestão de liturgia para bênçãos entre pessoas do mesmo sexo, que inclui orações, leitura da Bíblia e partes em que as duas pessoas que estão se unindo podem “expressar diante de Deus como se comprometem um com o outro”.

Os bispos da parte flamenga da Bélgica também anunciaram que cada diocese nomeará uma pessoa como “resposta concreta e cumprimento do desejo de prestar atenção explícita à situação dos homossexuais, seus pais e famílias”.

Os bispos belgas irão a Roma no final de novembro para sua visita ad limina ao papa para prestar contas de suas dioceses.

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou sua última declaração sobre bênçãos entre pessoas do mesmo sexo em 15 de março de 2021, em um documento conhecido como Responsum ad dubium (“Resposta a uma pergunta”).

Em resposta à pergunta: “A Igreja dispõe do poder de abençoar as uniões de pessoas do mesmo sexo?”, a CDF respondeu: “Negativo”.

A congregação falou sobre o tema em uma nota explicativa e comentários complementares publicada com a aprovação do papa Francisco e que provocou protestos e desafio aberto no mundo católico da Alemanha.

Muitos padres e paróquias se juntaram a um dia de protesto em resposta à declaração da Congregação para a Doutrina da Fé que diz que a Igreja não tem poder para abençoar uniões do mesmo sexo.

Padres e agentes pastorais alemães também desafiaram abertamente a Santa Sé e fizeram cerimônias de bênção para uniões do mesmo sexo.

Em julho, o secretário-geral do Comitê Central dos Católicos Alemães disse que o Caminho Sinodal é “uma declaração consciente contra o atual Catecismo Católico, que critica e despreza a homossexualidade desde meados da década de 1970 e ainda considera a atividade homossexual como pecado”.

Seus comentários foram publicados em 17 de julho em alemão e inglês pelo Outreach, um site editado pelo padre jesuíta James Martin, que descreve sua página como um “recurso católico LGBT” (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).

Vários bispos alemães se manifestaram a favor de mudanças na doutrina da Igreja sobre sexualidade.

O que a Igreja ensina sobre a homossexualidade

A doutrina está resumida nos três artigos seguintes do Catecismo da Igreja Católica:

2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.

2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.