Em nota pública da Diocese de Caruaru diz que a Igreja Católica tem grande aversão ao comunismo.
O bispo Dom José Ruy Gonçalves Lopes, da Diocese de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, emitiu uma nota sobre as eleições de 2020 orientando os fiéis a votarem contra o comunismo. “A Igreja Católica possui grande simpatia pela Democracia e grande aversão ao comunismo, diz a sua doutrina (DSI, 160). Por isso o voto consciente é a melhor forma não apenas de reivindicar, mas de determinar o futuro da sociedade”, diz a nota pública.
Apesar de o bispo justificar o posicionamento em um documento católico, o tópico 160 da Doutrina Social da Igreja, citado por ele, não trata do comunismo ou tem qualquer relação com posicionamento ideológico. Ainda na nota, o bispo diz que a Igreja Católica não possui partidos políticos e não apoia candidatos.
A nota pública gerou críticas de setores mais progressistas da igreja. Na publicação do texto no Facebook pela Diocese, um internauta que se identifica como padre de Minas Gerais criticou a parcialidade da mensagem. “O número dois dessa nota omite que a igreja também combate o liberalismo. Está bastante parcial nesse quesito, dando a entender que se deve votar em partidos de direita”, ele escreveu.
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Dom José Ruy tomou posse como quinto bispo da Diocese de Caruaru em setembro de 2019. Em 2014, quando estava à frente da Diocese de Jequié, na Bahia, publicou um texto criticando o PT por projeto da “questão de gênero”. No artigo, o bispo diz que “vem se manifestar peremptoriamente contrária a esta ideologia do partido que governa a nação que deseja ‘impor’ pela maioria de sua base aliada um projeto que quer eliminar a ideia de que os seres humanos se dividem em dois sexos, afirmando que as diferenças entre homem e mulher não correspondem a uma natureza fixa, mas são produtos da cultura de um país, de uma época. Algo convencional, não natural, atribuído pela sociedade, de modo que cada um pode inventar-se a si mesmo e o seu sexo”.
O religioso diz que a tal ‘ideologia de gênero’ é baseada na análise marxista da história como luta de classes, dos opressores contra os oprimidos, “sendo o primeiro antagonismo aquele que existe entre o homem e a mulher no casamento monogâmico”. Ele diz que as pessoas devem se atribuir o real valor que possuem, mesmo que seja politicamente incorreto e contrarie o “modismo imposto pela mídia e pelo governo”. Também em 2014, Dom José Ruy voltou a dizer que a Igreja Católica restringe e censura o marxismo, citando dessa vez a encíclica Centesimus annus, escrita por João Paulo II um ano e meio após a queda do Muro de Berlim.
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Nota Pública da Diocese de Caruaru sobre as eleições 2020 divulgada em 26 de setembro.
Confira o texto na íntegra abaixo:
Fundamentados na Doutrina Social da Igreja, apresentamos algumas orientações normativas desta Igreja Particular a respeito do pleito eleitoral.
1) Embora “não tenhamos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura” (Hb 13,14); e ainda, “A pátria do cristão é o céu”, como diziam os antigos Padres da Igreja, somos cidadãos brasileiros e vivemos nos municípios, onde recebemos os bens de Deus e padecemos, muitas vezes, das mazelas da má administração e da corrupção. Por isso, enquanto cidadãos e construtores do bem comum, da Civilização do Amor que se alicerça sobre a justiça e a paz, não podemos nos omitir na escolha dos candidatos ao Executivo e ao Legislativo.
2) A Igreja Católica possui grande simpatia pela Democracia e grande aversão ao comunismo, diz a sua doutrina (DSI, 160). Por isso o voto consciente é a melhor forma não apenas de reivindicar, mas dedeterminar o futuro da sociedade.
3) A Igreja Católica não possui partidos políticos, proíbe aos seus Clérigos a filiação partidária (Código de Direito Canônico, 278,3 e 287,2) e não apoia candidatos. Incentiva, porém, os leigos a assumirem o seu protagonismo social. Configurados ao ministério de Cristo, devemos trabalhar pela unidade do povo de Deus e não ser causa de divisão. Somos de Cristo e Cristo é de Deus (1 Cor 3, 22-23);
4) Fotografias de candidatos em festas de padroeiros, do Papa, com os Bispos, padres ou diáconos não representam absolutamente que possuem o apoio da Igreja Católica;
5) Deste modo, campanhas políticas dentro de espaços físicos da Igreja são expressamente vetadas. Tanto o bom senso cristão como a lei civil, que considera crime a propaganda política no interior dos templos, ou abuso de poder religioso, exigem a nossa imparcialidade;
6) O que está claro na Doutrina Social da Igreja e assim ela orienta os seus fiéis nas eleições é:
a) Compromisso com a vida, desde a sua concepção até sua consumação na morte natural. Um cristão não pode ser favorável ao aborto e à eutanásia, mas sempre a favor da vida;
b) Compromisso com a família e com o combate à violência doméstica, à exploração sexual, à prostituição e ao abuso de menores;
c) Compromisso com a superação da pobreza;
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d) Compromisso com a defesa do meio ambiente (destino correto do lixo e sua reciclagem, saneamento básico, cuidado com os mananciais e a preservação da cobertura vegetal) e o sadio lazer;
e) Compromisso com o Bom Comum. Por isso, um Sistema Único de Saúde (SUS) bem apoiado,especialmente nesse tempo com as urgências de combate à pandemia.
Estas orientações sejam publicadas em todas as redes de comunicação das paróquias de nossa Diocese de Caruaru. Nossa Senhora das Dores e o Mártir São Tomás More, patrono dos políticos, intercedam a Deus por nosso povo.
Caruaru, 26 de setembro de 2020.
Dom José Ruy G. Lopes, OFM Cap
Bispo Diocesano.
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