Nesta quarta-feira (4), Dom Erwin Kräutler, vice-presidente da REPAM-Brasil e membro do Conselho Pré-Sinodal, concedeu entrevista para rádio CBN e falou sobre o Sínodo para a Amazônia, reunião com bispos de todo o mundo que acontece em outubro.
Questionado sobre a questão principal que levou à convocação do Sínodo, a evangelização na região amazônica, o entrevistador comentou que as vocações estão em queda e que, inclusive, já chegou a ser discutido a possibilidade de homens casados assumirem o sacerdócio, e perguntou se isso tem condições de avançar neste sínodo.
Dom Erwin respondeu: “a questão não é celibato ‘sim’ ou celibato ‘não’, a questão é a Eucaristia.”
Continuou: “A Eucaristia é o centro e o ápice de nossa fé, e o papa João Paulo II já disse que a comunidade cristã só existe ao redor do altar, ao redor da Eucaristia.”
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Ele continuou dizendo que só no Xingu, onde foi bispo durante décadas, há em torno de 800 comunidades, mas apenas 30 padres para atender essas comunidades, e vários deles já estão com idade avançada (70 anos), e fez a seguinte pergunta: “Como nós podemos prover para todas as comunidades a Eucaristia Dominical e das festas, por exemplo, Páscoa, Natal?”
Ele observou que este povo não tem acesso a essas celebrações porque moram distantes. Disse também que nessas comunidades o padre aparece 2, 3 ou 4 vezes por ano.
“Isso é insuportável, quase um escândalo. A Igreja tem que lutar para que essas comunidades tenham a possibilidade de aos Domingos se reunirem e viverem o momento da Eucaristia” – disse.
Dom Erwin comentou também que um fato muito importante é que dois terços das comunidades são lideradas por mulheres. E que um dos objetivos do Sínodo é valorizar mais as mulheres, para que não fiquem apenas em serviços para ornamentar a igreja ou catequese.
“Essas mulheres não foram impostas à comunidade, mas a comunidade às elegeu. Elas fazem a liturgia do culto dominical, naturalmente sem a eucaristia, ou seja, a liturgia da palavra.”
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Ele disse que o problema é procurar caminhos pelos quais seja possível fazer chegar a Eucaristia nessas comunidades, pois o padre não está presente e aparece apenas 2 ou 3 vezes no ano. “Precisamos de alguém que esteja presente nos momentos mais importantes da vida de qualquer pessoa e da comunidade.”
“Pessoalmente eu lhe digo: a Eucaristia não deve depender de um homem celibatário ordenado” – afirmou.
E continuou: “Tem outras maneiras, e na Igreja já existe isso em outros cantos em que homens casados que presidem a Eucaristia. Eu queria ultrapassar essa ordem, quer dizer, não apenas restringir a homens.”
Sobre essas afirmações ele comentou que isso certamente terá um longo caminho, e que não sabe dizer se o Sínodo vai definir se isso vai acontecer, mas que o sínodo vai tomar medidas urgentes para que todas as comunidades possam celebrar a Eucaristia.
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As queimadas na Amazônia e o Governo Bolsonaro
Dom Erwin disse que não entender a razão da aversão do presidente Jair Bolsonaro às ONGs e defende que é preciso ter uma outra visão da Amazônia. “Ela é espaço de vida para povos”, diz.
“É uma preocupação que nos toca, nós somos responsáveis pelas futuras gerações. Não podemos olhar isso e dizer que não nos interessa” E continuou “Nós não vamos fazer propostas políticas e partidárias, mas a gente vai chamar a atenção do mundo inteiro para essa situação da amazônia e convidar para que todo mundo ajude para que possamos manter a amazônia e acabar com essa destruição e essas queimadas, claro que as queimadas vieram depois da convocação do Sínodo, e que as queimadas sempre existiram, mas nessa proporção como agora, eu lhe digo, eu lhe afirmo, nunca, isso é um absurdo.”
“Se a amazônia for destruída, os primeiros a sofrer serão os brasileiros”
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Escute a entrevista na íntegra:


