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Sacramento da Comunhão

A comunhão na mão é de origem calvinista e não era costume entre os fiéis da Igreja primitiva

 

Dom Athanasius Schneider, especialista em Patrística e bispo auxiliar no Cazaquistão, explicou à emissora Rádio Maria como se comungava na época.

Athanasius Schneider tem quase 60 anos e atua como bispo auxiliar na Diocese de Astana no Cazaquistão, uma antiga república soviética com 26% de população cristã, majoritariamente ortodoxa, mas com uma pujante comunidade católica.

Dom Athanasius apóia apaixonadamente a tradição litúrgica de receber a Sagrada Comunhão na língua enquanto está ajoelhado, como um sinal de amor pelo corpo e sangue de Jesus. Este é o tema de seu livro Dominus Est de 2008. No livro, Dom Schneider escreve que receber a Sagrada Comunhão desta forma tornou-se uma prática padrão na Igreja no século 5, e que o Papa Gregório I castigou fortemente os padres que se recusaram a seguir esta tradição.

Durante uma entrevista, Dom Schneider que é especialista em Patrística e Igreja primitiva, explicou à emissora Rádio Maria, no sul do Tirol, as diferenças entre a forma de comungar na Igreja primitiva e a atual prática da comunhão na mão.

Segundo afirmou, este costume é “completamente novo” após o Concílio Vaticano II e suas raízes não remontam aos tempos dos primeiros cristão, como se sustentou com freqüência.

Na Igreja primitiva, era necessário purificar as mãos antes e depois do rito, e a mão estava coberta por um corporal, do qual se tomava a partícula diretamente com a língüa: “Era mais uma comunhão na boca do que na mão”, afirmou Schneider. De fato, após consumir a Sagrada Hóstia, o fiel devia recolher da mão, com sua língua, qualquer mínima partícula consagrada. Um diácono supervisionava esta operação.

Jamais se tocava com os dedos: “O gesto da comunhão na mão, tal como conhecemos hoje, era completamente desconhecido” entre os primeiros cristãos.

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Origem calvinista

Ainda assim, abandonou-se aquele rito pela administração direta do sacerdote na boca, uma mudança que ocorreu “instintiva e pacificamente” em toda a Igreja. A partir do século V, no Oriente, e pouco depois no Ocidente. O Papa São Gregório Magno já a administrava assim no século VII, e os sínodos franceses e espanhóis dos séculos XIII e IX puniam quem tocasse na Sagrada Forma.

Segundo Dom Schneider, a prática que conhecemos hoje da comunhão na mão nasceu no século XVII entre os calvinistas, que não acreditavam na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. “Nem Lutero”, que acreditava na presença real, mas não na transubstanciação, “o havia feito”, disse o bispo do Cazaquistão: “De fato, até relativamente há pouco os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e ainda hoje alguns comungam assim nos países escandinavos”.

Ele escreveu em 2009: “A consciência da grandeza do mistério eucarístico é demonstrada de maneira especial pela maneira como o corpo do Senhor é distribuído e recebido.” 

Religión en Libertad | Via Pantokrator

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Porque devemos evitar comungar com as mãos?

A Santa Igreja garante ao fiel o direito de comungar diretamente nos lábios. Por outro lado, a comunhão com as mãos é uma concessão, que pode ser proibida sempre que o sacerdote identificar que há risco de profanação da Santíssima Eucaristia.

Aos que quiserem se aprofundar, recomendamos este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=fLjdiF0o6k4

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