A Santa Sé disse hoje (10) que a narrativa divulgada por meios de comunicação sobre uma reunião no Pentágono entre altos oficiais de defesa dos EUA e o então representante do papa nos EUA “não corresponde à verdade”.
Por ACI Digital – Segundo o cardeal Christophe Pierre, seu encontro com o subsecretário de Guerra para Política, Elbridge A. Colby, em janeiro, fez parte da “missão regular do ex-núncio e proporcionou uma oportunidade para uma troca de opiniões sobre assuntos de interesse mútuo”, disse hoje (10) Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.
O site de notícias The Free Press publicou em 6 de abril que Pierre, então núncio apostólico nos EUA, recebeu “uma dura bronca” na reunião por causa de um discurso no qual o papa Leão XIV criticou “uma diplomacia baseada na força”.
Segundo o site The Free Press, a mensagem do papa foi interpretada como uma crítica à política dos EUA por oficiais do Pentágono, que disseram a Pierre: “Os EUA têm poder militar para fazer o que quiserem no mundo. Seria melhor que a Igreja Católica ficasse do lado deles”.
O Departamento de Defesa dos EUA disse ontem (9) na rede social X que uma reunião “substantiva, respeitosa e profissional” ocorreu em 22 de janeiro, mas que “notícias recentes sobre a reunião são altamente exageradas e distorcidas”.
“No encontro cordial, discutiu-se uma série de tópicos, como questões de moralidade na política externa, a lógica da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, a Europa, a África, a América Latina e outros assuntos”, disse o departamento. “O cardeal Pierre expressou seu apreço pela iniciativa e ambas as partes manifestaram o desejo de manter um diálogo aberto e respeitoso”.
O embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, também falou ontem (9) sobre a reunião no Pentágono. Burch disse ter conversado com o ex-núncio, que “negou veementemente a versão da mídia sobre seu encontro com Colby”.
Pierre, escreveu Burch, “descreveu o encontro como franco, mas muito cordial e um encontro normal” e que “ele disse que a reportagem não reflete o que aconteceu e só foi inventada para criar uma história”.
O portal de notícias católico The Pillar disse hoje (10) que um alto funcionário da Santa Sé descreveu a conversa como tendo momentos de tensão, com alguns funcionários americanos sendo “agressivos” e “intimidantes”, embora “não houvesse qualquer indício de que alguém estivesse ameaçando alguém”.
O papa Leão XIV aceitou no mês passado a renúncia de Pierre ao cargo de núncio apostólico por ter atingido o limite de idade e nomeou o arcebispo Gabriele Caccia como seu representante nos EUA.
Fonte ACI Digital
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Papa bateu de frente com Trump
Nas últimas semanas, o pontífice intensificou críticas à escalada militar no Oriente Médio, especialmente à guerra envolvendo o Irã.
Em discursos recentes, condenou o que chamou de “diplomacia baseada na força” e alertou para uma crescente “vontade de dominação” entre nações.
No Domingo de Páscoa, foi ainda mais direto e pediu que líderes mundiais abandonassem as armas e rejeitassem a lógica da guerra.
O religioso chegou a bater de frente com Trump após o presidente americano prometer acabar com a civilização no Irã caso o país se recusasse a abrir o Estreito de Ormuz:
“A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral“, disse o Pontífice.
Apesar dos embates, o Papa comemorou o anúncio de uma trégua de duas semanas entre os EUA e o Irã anunciada por Trump nas redes sociais.
“Depois dessas últimas horas de tensão no oriente médio e no mundo, acolho como satisfação e como um sinal de viva esperança o anuncio de uma trégua de duas semanas. Apenas através da negociações se pode chegar ao fim da guerra.”
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