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Santo do Dia

São Pier Giorgio Frassati, padroeiro e modelo da Juventude Católica – 04 de Julho

A alma pura e idealista de Pier Giorgio nunca se rebaixou aos vales da mediocridade ou aos abismos do pecado. Com sua morte prematura se tornou um estandarte vivo da juventude cristã.

A voz enérgica do jovem alpinista ecoava pelas encostas do Pequeno São Bernardo, imponente monte dos Alpes Graios, na fronteira da Itália com a França. Com o rosário na mão direita e os bastões de esqui na esquerda, ele contemplava o panorama coberto pela neve. O vento soprava generoso ali no topo, a mais de 2000 m de altitude, misturando-se com as vozes de seus companheiros, os quais, reunidos a seu lado, respondiam às Ave-Marias. Pouco a pouco, outros excursionistas, a cujos ouvidos chegava o som daquela prece sincera, uniam suas vozes ao fervoroso coro.

Rosário rezado nas alturas! Nada causava tanto júbilo ao coração idealista e mariano de Pier Giorgio Frassati, o robusto estudante de engenharia que entoava a oração. No vigor de seus 22 anos de idade, ele se destacava entre os colegas: era o mais arrojado, o mais alegre e disposto a sacrificar-se pelos demais. Assim como obstáculo algum da natureza o intimidava e nenhuma contrariedade abatia seu ânimo, nunca se lhe apresentava em vão uma ocasião de fazer o bem ao próximo. E, para ele, isto significava dar bom exemplo, incentivar às práticas religiosas e criar as condições para a virtude triunfar sobre o vício nas almas de seus amigos.

PGFrassati, Ascensao ao pico Lumella, em 7/6/1925

Desejo de escalar os cimos

Era o que fazia Pier Giorgio naquela manhã de fevereiro, um feriado do carnaval de 1923, no cume do Pequeno São Bernardo. Fora ele quem promovera aquele passeio às montanhas, visando proteger os companheiros dos perigos do ócio e da cidade, e agora os levava a recitar o Rosário, ciente de que só são verdadeiros heróis os homens de grande fé.

Terminada a oração, iniciou-se a ruidosa descida: ajustados os esquis, os jovens deslizavam céleres pela ladeira branca e gelada, em meio a gritos e risos animados. Embora participasse do contentamento geral e gostasse de enfrentar com galhardia as situações de risco que o esqui costuma oferecer, Pier Giorgio teria preferido ficar lá em cima: “Cada vez mais forte me é a vontade de escalar os cimos, de atingir os mais altos píncaros e sentir a pureza desta alegria que a montanha nos dá”,1 escreveu certa feita a um amigo. E a outro: “Quisera, não fossem os meus estudos, passar dias inteiros na serra, para contemplar, nessa atmosfera pura, as grandes obras do Criador”.

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Quem desejasse um ponto de partida para analisar com acerto a trajetória deste jovem Beato, poderia sem dúvida valer-se de iguais palavras. Sim, pois sua alma ansiava pelos mais altos píncaros e encontrou sua alegria na sublime “montanha que Deus escolheu para morar” (Sl 67, 17), isto é, a Santa Igreja.

Verso l’alto – Às alturas!”3 é a fórmula lapidar que ele registrou numa fotografia tirada durante a ascensão ao Pico Lunella, em 7 de junho de 1925, menos de um mês antes de partir rumo à Pátria Celeste. E é esta a principal lição oferecida por sua breve existência à juventude hodierna: para alcançar a felicidade são necessárias a coragem e a perseverança, a fim de estar a todo momento subindo o pico da perfeição, com a mente e o coração elevados às alturas da Fé!

Família abastada, mas carente de fé

Os sinos da Catedral de Turim repicavam ao Glória da Ressurreição quando nasceu Pier Giorgio Frassati, a 6 de abril de 1901, Sábado de Aleluia. Para seus familiares, nada significava a coincidência de datas: naquele lar abastado, brilhante nas altas esferas sociais, a Religião se reduzia a meras exterioridades.

O pai, Alfredo Frassati, proprietário do jornal La Stampa, exerceria mais tarde cargos de grande projeção política, assumindo uma cadeira no Senado, em 1913, e em 1920, a Embaixada italiana em Berlim. Esperava ver o filho seguir-lhe os passos e não escondeu sua desaprovação quando percebeu que ele se tornava mais e mais piedoso e ativo nos meios católicos, não nutria a mínima apetência por adquirir fama e fortuna, nem se interessava pelos assuntos de sua profissão. Quis, então, a todo custo dissuadi-lo daquelas vias e chegou a escrever-lhe o seguinte bilhete: “Agindo sempre irrefletidamente nas coisas que para ti deveriam ser importantíssimas (como, no caso concreto, era não esquecer o livro que te deveria servir para a próxima prova), vais-te tornar um homem inútil para os outros e para ti mesmo”.4

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PGFrassati aos 12 anos com seu pai Alfredo – Foto: Divulgacao

Quanta razão tinha a humilde serviçal do escritório paterno quando, ao ouvir o patrão deblaterar contra a religiosidade do filho e acusá-lo de desdourar-lhe a fama nos círculos mundanos, exclamou:

— Senhor, ainda vereis que ele terá mais fama do que vós!

Adelaide Ametis, a mãe, possuía uma ideia bastante distorcida do Catolicismo, considerando-o como um conjunto de regras cujo cumprimento era suficiente para salvar-se. Apesar de haver ensinado Pier Giorgio e sua irmã a se comportarem na igreja e a serem exímios observantes dos dias de preceito, não se pode dizer que fez o mesmo quanto à devoção a Jesus e a Maria.

Tal carência não impediu, porém, que o gosto pela oração despontasse no menino desde tenra idade. Certo dia, por exemplo, ele a deixou surpresa ao colher uma rosa do jardim e entregá-la a uma irmã leiga que se dirigia a uma capela, pedindo-lhe para levá-la a Jesus, de sua parte. Em outra ocasião, quando assistia à Missa junto a algumas crianças, uma menina lhe fez uma pergunta inconveniente. Com fisionomia séria ele a repreendeu, declarando que nunca mais iria à igreja em sua companhia, pois não queria ter importunadores a seu lado ao conversar com Jesus.

Um caráter de granito

O pendor natural à piedade, aliado à pertinácia de bom piemontês, fez desabrochar de modo admirável a fé de Pier Giorgio ao entrar na fase das primeiras grandes lutas da vida: a adolescência. Ciente de sua fraqueza, mas decidido a não ceder às solicitações do pecado, apegou-se ao único instrumento capaz de lhe obter a vitória: a oração. Seguro de que só teria forças para perseverar na Fé se rezasse muito e pudesse contar com as orações de outras pessoas, escreveu a um colega: “Rogo-te que rezes um pouco por mim, para que Deus me dê uma vontade férrea que não se dobre e não frustre seus projetos”.5

Aliás, era esta a nota saliente de seu modo de ser. Um de seus confessores chegou a defini-lo como “caráter de granito”,6 recordando que ­suas resoluções de retiro poderiam resumir-se nas palavras “fortaleza de alma na luta contra si e contra o mundo”.7 E ele realizou eximiamente tais propósitos, dando mostras de um viril e sereno domínio do espírito sobre os sentimentos, nas mais diversas situações.

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Uma vez, quando saía da igreja com o terço na mão, um de seus conhecidos, com intenção de ridicularizá-lo, gritou de forma a ser ouvido pelos transeuntes:

— Ei, Pier Giorgio, você ficou carola?

— Não. Apenas continuo a ser cristão – respondeu tranquilamente.

Em outra circunstância, tomou a ousada iniciativa de rasgar alguns cartazes que desabonavam o diretor da universidade em que estudava, os quais haviam sido colados no mural do egrégio estabelecimento de ensino por estudantes rebeldes. Estes logo o cercaram, ameaçando-o de represálias e intimando-o a reparar aquela pretensa injúria à liberdade de pensamento. Imperturbável, replicou-lhes Pier Giorgio que o erro e a calúnia não têm direito a liberdade alguma, e estava disposto a destruir todos os cartazes semelhantes que encontrasse. A força de sua convicção teve efeito imediato: os revoltosos se calaram e foram embora.

Intensa atividade nos meios católicos

Com tal têmpera de alma, decerto nosso Beato seria mártir se vivesse em tempo de perseguição sangrenta, pois, além de ­intensamente ativo nos meios católicos, ele desconhecia o defeito que faz minguar tantas boas obras e tolhe as almas fracas: o respeito humano. Os que tiveram a ventura de acompanhá-lo nas excursões às montanhas ou mesmo no dia a dia dos estudos e das atividades apostólicas, testemunharam a integridade de sua admirável compostura, piedade vivíssima e devoção filial, manifestadas em todos os lugares, com límpida coerência.

A partir dos 12 anos, inscreveu-se em várias associações religiosas, dentre as quais o Apostolado da Oração, a Companhia do Santíssimo Sacramento, a Liga Eucarística, a Congregação Mariana e as Conferências de São Vicente de Paulo. Ademais, como membro da Associação de Jovens Adoradores Noturnos, da Igreja de Santa Maria di Piazza, em Turim, edificou muitos religiosos e sacerdotes que diversas vezes o viram chegar por volta da meia-noite, ajoelhar-se diante do ostensório e permanecer nesta posição até as quatro horas da manhã, em profundo recolhimento. Coube-lhe também o mérito de ter fundado um círculo de juventude católica, ao qual denominou Milites Mariæ, e foi admitido como terciário dominicano, em maio de 1922.

Era ele sempre um zeloso apóstolo junto aos que viviam afastados da Fé. Pode-se afirmar que, embora leigo, tinha um coração sacerdotal. Com o intuito de aproximar da Igreja as ovelhas desgarradas, começou a levar auxílio material às famílias pobres da cidade e visitar os doentes em suas casas, gesto de caridade que nenhum rapaz de sua condição social se atreveria a realizar. Devido à total despretensão em tais empreendimentos, nem sequer os pais desconfiavam da magnanimidade de seus atos. À notícia de sua morte, uma multidão daqueles protegidos veio prestar-lhe as últimas homenagens, aclamando-o como santo e venerando-lhe o corpo como relíquia.

No discurso por ele proferido em junho de 1923, quando da bênção da bandeira do círculo Giovane ­Pollone, encontramos uma clara expressão de seu nobre ideal de fazer bem às almas, ao distinguir três tipos de apostolado a que um jovem católico está obrigado: “Antes de tudo, o do exemplo: temos o dever de regular toda a nossa vida pelas leis morais cristãs. Depois, o da caridade: devemos procurar os sofredores para confortá-los, os desgraçados, para dizer-lhes uma boa palavra, porque a Religião Católica baseia-se na caridade, que não é outra coisa senão o perfeito Amor. […] Finalmente, o apostolado de persuasão, um dos mais belos e necessários; aproximai, ó jovens, vossos companheiros de trabalho que vivem longe da Igreja e passam as horas livres não em divertimentos sadios, mas no vício. Persuadi estes infelizes a seguirem as vias de Deus, entremeadas de muitos espinhos, como também de muitas rosas”.

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Pier Giorgio, semanas antes de falecer – Foto: Luciana Frassati

Alegria que só a Fé pode dar

Outro aspecto desta alma de escol precisa ser ressaltado: sua profunda alegria. Até quando atravessava dolorosas provações – como se pode conhecer pelo pouco que contou aos amigos ou registrou em suas cartas, pois, por humildade, evitava falar de si –, mantinha a fisionomia alegre, iluminada pela cativante luz que a castidade acende na alma. Com palavras incisivas, em carta à sua irmã, indicou a causa de seu ânimo: “Tu me perguntas se estou alegre; como poderia não estar? Enquanto a Fé me der forças, estarei alegre. Um católico não pode não estar alegre; a tristeza deve ser algo proibido à alma dos católicos. Dor não significa tristeza: esta é uma doença pior do que qualquer outra, e quase sempre produzida pelo ateísmo. O fim para o qual fomos criados nos indica o caminho que, embora semeado de espinhos, não é triste: é alegre, mesmo em meio à dor”.

Poucos dias depois, ele reafirmaria tal ideia, desta vez em missiva a um amigo: “a cada dia compreendo melhor a graça de ser católico. Pobres desgraçados os que não têm Fé: viver sem Fé, sem um patrimônio a defender, sem sustentar a verdade numa luta contínua, não é viver, mas arrastar-se pela vida. Nunca devemos arrastar-nos pela vida, e sim viver, porque ainda em meio às desilusões, precisamos nos lembrar de que somos os únicos a possuir a verdade […]. Portanto, é preciso banir toda melancolia, a qual só pode existir quando se perde a Fé”.

Estandarte vivo da juventude cristã

Em meados de 1925, Pier Giorgio foi atacado por uma fulminante poliomielite. Terríveis tormentos físicos e morais desabaram sobre ele, no breve intervalo de tempo que mediou entre os primeiros sintomas da doença e a morte. Como naqueles dias sua avó entrara em agonia e falecera, ninguém da família se deu conta da gravidade do estado de saúde do rapaz. Sozinho em seu quarto, sofria dores atrozes e constatava o tremendo avanço da moléstia que paulatinamente lhe paralisava o corpo. Com heroico espírito de sacrifício, não soltou uma única queixa, a ponto de os familiares se inteirarem de sua situação só quando já era tarde demais.

Na sexta-feira, 3 de julho, fez sua derradeira Confissão e recebeu a Sagrada Eucaristia. Na madrugada do sábado recebeu a Unção dos Enfermos e, à noite, entregou sua alma a Deus.

A notícia de sua morte causou grande comoção em Turim. Seu sepultamento, acompanhado por verdadeira multidão, foi a primeira glorificação das virtudes de quem se erguera em pouco tempo como modelo de vida para os jovens. Não em vão proclama seu epitáfio: “Com 24 anos de idade – nas vésperas de ser diplomado engenheiro, belo, robusto, alegre e estimado – viu chegar de improviso o seu último dia. E, como fazia em todas as circunstâncias, saudou-o serenamente como o mais belo da sua existência. Confessou a Fé pela pureza de vida e pelas obras de caridade. A morte o ergueu como um estandarte vivo da juventude cristã”.

Conheça mais sobre São Pier Giorgio Frassati

Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim, em 1901, em uma família de alta burguesia. Seu pai, Alfredo, era jornalista e embaixador; sua mãe, uma pintora renomada com obras adquiridas pelo rei Vittorio Emanuele III. Embora a fé não fosse central em sua família, Pier Giorgio abriu-se profundamente ao chamado divino. Neste artigo você vai ler sobre sua fama de jovem alegre e caridoso, além de sua devoção à Eucaristia e à caridade.

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Pier Giorgio Frassati foi um estudante italiano, terciário dominicano, membro da San Vincenzo de’ Paoli, FUCI e Ação Católica. Ele foi beatificado em 1990 pelo Papa João Paulo II. É considerado, embora não canonizado, um dos santos sociais de Turim. Celebrado em 4 de Julho é o dia Internacional da Juventude Vicentina.

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A vida de Pier Giorgio Frassati

Nasceu em 6 de abril de 1901 em Torino em uma rica família burguesa.

Quando ainda criança, aprendeu as primeiras histórias do Evangelho. Pier Giorgio ficou impressionado com elas, às vezes tão profundamente que se tornou protagonista de gestos inesperados numa criança tão pequena.

Os Frassatis eram uma das famílias mais proeminentes da cidade, de origem de classe média alta, mas Pier Giorgio Frassati preferia ser o “carregador” dos pobres, arrastando pelas ruas as carroças carregadas com os utensílios domésticos dos despejados de Turim.

Ele e sua irmã Luciana, apesar de terem apenas um ano de diferença de idade, começaram juntos os estudos. Seguindo o costume das famílias nobres da época, a primeira instrução foi dada em casa, de forma privada. Depois, frequentaram escolas públicas, onde Pier Giorgio demonstrou pouco entusiasmo pelos estudos, chegando a repetir de ano. Após concluir o ensino fundamental, os dois foram matriculados no Liceu Clássico Massimo d’Azeglio, em Turim. No entanto, o progresso escolar de Pier Giorgio foi dificultado por reprovações em latim. Posteriormente, seus pais decidiram transferi-lo para o Instituto Social de Turim, dirigido pelos Padres Jesuítas, onde, além dos estudos, ele se aproximou profundamente da espiritualidade cristã. Em outubro de 1918, Pier Giorgio concluiu o ensino clássico com dedicação.

A família de Pier Giorgio era rica, mas dava aos filhos pouco dinheiro, administrado com grande parcimônia. Apesar disso, Pier Giorgio frequentemente ficava sem dinheiro porque doava generosamente o pouco que tinha aos pobres e necessitados que encontrava ou visitava. Seus amigos frequentemente o viam voltando para casa a pé, pois entregava aos pobres o dinheiro que usaria para o bonde. Ele também participava ativamente da Conferência de São Vicente, ajudando pessoas em extrema necessidade. Quando sua irmã Luciana perguntou sobre sua motivação, ele respondeu: “Ajudar os necessitados é ajudar Jesus”.

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Pier Giorgio conciliava suas ações de caridade com a vida universitária. Estudante de engenharia, ele se destacava não apenas por sua inteligência, mas também por sua empatia e senso de justiça. Entre os colegas, promovia a fé, organizava iniciativas de assistência social e incentivava debates sobre questões éticas e espirituais. Suas obras de caridade, no entanto, eram desconhecidas pela família, que nunca compreendeu verdadeiramente quem ele era. Pier Giorgio destoava dos padrões da alta sociedade: frequentava a igreja, dedicava-se aos marginalizados e evitava as convenções sociais da classe alta.

A espiritualidade de Pier Giorgio Frassati era profundamente enraizada em sua vida de oração, sua devoção à Eucaristia e seu amor pela Virgem Maria. Desde jovem, Pier Giorgio cultivava uma relação íntima com Deus, dedicando tempo diário à oração pessoal e comunitária. Ele participava assiduamente da Santa Missa, muitas vezes de madrugada, mesmo enfrentando dificuldades como o cansaço ou a distância. A Eucaristia era o centro de sua vida espiritual, sendo para ele fonte de força e inspiração para suas obras de caridade e o sustento de sua fé.

Pier Giorgio também tinha uma devoção especial à Virgem Maria, expressa de forma concreta por meio da recitação diária do terço. Ele confiava suas dificuldades e alegrias à Mãe de Deus, enxergando nela um modelo de humildade e entrega total à vontade divina. A espiritualidade mariana permeava suas ações, refletindo seu desejo de imitar a disponibilidade e o amor de Maria.

Em 30 de junho de 1925, Pier Giorgio queixou-se de estranhas enfermidades, enxaquecas e perda de apetite: não foi uma gripe banal, mas uma poliomielite fulminante que o abateu em apenas quatro dias, para choque e dor de seu corpo. Deixou família, muitos amigos e conhecidos, com apenas 24 anos. Em sua mesa, ao lado dos textos universitários, estavam abertos o Ofício de Nossa Senhora e a vida de Santa Catarina de Sena. Ele nasceu para a vida do Céu em um sábado, 4 de julho — tal como havia vindo ao mundo, em um sábado santo, vinte e quatro anos antes.

O milagre reconhecido pela Igreja para sua beatificação foi a cura de Domenico Sellan, um friulano que, no final dos anos 1930, contraiu a doença de Pott. Sellan, quase à beira da morte, recuperou-se repentinamente e sem explicação médica aparente, após um amigo sacerdote lhe dar uma imagem com uma pequena relíquia de Pier Giorgio Frassati. Sellan, com confiança, rogou a Frassati que intercedesse por ele junto ao Senhor, de acordo com os princípios da fé católica, pedindo sua cura.

Em 3 de março de 2008, foi realizada uma exumação canônica do corpo do beato, que desde então repousa incorrupto em uma capela lateral da nave esquerda da Catedral de Turim (anteriormente, ele estava sepultado no túmulo da família em Pollone, sendo transferido na década de 1990). Essa exumação foi realizada em preparação para a transladação de suas relíquias para Sydney, durante a Jornada Mundial da Juventude. Posteriormente, as relíquias foram devolvidas à Catedral de Turim.

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A relação de Pier Giorgio Frassati com a Doutrina Social da Igreja

Como membro da Conferência de S. Vincenzo, Pier visitava as famílias mais necessitadas para lhes trazer conforto e ajuda material.

Geralmente ia para lá de manhã, antes das aulas na Universidade, ou nos passeios noturnos, carregado de pacotes. Dinâmico, obstinado, cheio de vida, Pier Giorgio adorava flores, poesia e alpinismo. Muitas vezes ele chegava a pé ao Santuário de Nossa Senhora de Oropa. Chegando ao Santuário, após uma hora de caminhada e jejum completo, assistia à Santa Missa, depois comungava e no caminho para casa recitava o terço no caminho, em voz alta, cantando a ladainha.

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Em 28 de maio de 1922, na igreja de San Domenico, em Turim, recebeu o hábito de terciário dominicano: Pier Giorgio, como fervoroso discípulo de San Domenico, recitava todos os dias o Rosário, que sempre carregava no bolso do paletó, sem hesitar tirá-lo a qualquer hora para rezar, fosse no bonde ou trem, até na rua. “O meu testamento – disse ele, mostrando o terço – levo sempre no bolso”.

O legado de Pier Giorgio Frassati

Seu exemplo para a juventude católica

Pier Giorgio ingressou na Faculdade de Engenharia Mecânica, com especialização em Engenharia de Minas, no Regio Politécnico de Turim. Ele escolheu essa área com um propósito claro: trabalhar ao lado dos mineiros, uma das classes mais desfavorecidas da época, e ajudá-los a melhorar suas condições de vida e trabalho. Pier Giorgio era um estudante comprometido, mas sua vida foi interrompida tragicamente quando faltavam apenas dois exames para a conclusão de sua graduação. Em reconhecimento ao seu exemplo e legado, ele recebeu um diploma de laurea honoris causa em 2001.

Durante seus anos universitários, Pier Giorgio envolveu-se ativamente em diversas associações católicas, especialmente na Juventude Italiana de Ação Católica, na FUCI (Federação Universitária Católica Italiana) e no Círculo Cesare Balbo, um ramo da própria FUCI, ao qual se associou em 1919. Além disso, uniu-se à Sociedade São Vicente de Paulo, dedicando-se com fervor incomparável à ajuda aos pobres e necessitados. Seu compromisso com a fé também o levou a aderir, em 1920, ao Partido Popular Italiano, fundado por Dom Luigi Sturzo, destacando-se como um jovem católico engajado na transformação social à luz do Evangelho.

Beatificação e devoção popular

Foi beatificado por João Paulo II em 20 de maio de 1990. Papa João Paulo II o proclamou beato em 20 de maio de 1990, que o descreveu, entre outras coisas, como “um alpinista… tremendo” e “o jovem das oito Bem-aventuranças”.

Pier Giorgio Frassati, o homem das oito Bem-aventuranças

Pier Giorgio Frassati, conhecido como “o das oito Bem-aventuranças”, é um exemplo vibrante de santidade jovem na Igreja. Esse título especial foi dado por São João Paulo II durante sua beatificação em 20 de maio de 1990, destacando como Pier Giorgio viveu plenamente as Bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Sermão da Montanha. Sua vida, marcada pela caridade, humildade e alegria, refletia o chamado à santidade em meio às circunstâncias cotidianas.

São João Paulo II apresentou Pier Giorgio como um modelo para a juventude, afirmando que sua vida era um convite para todos os jovens “redescobrirem a beleza da vida cristã vivida em plenitude”. Para o Papa polonês, Pier Giorgio era uma prova de que a santidade é possível em qualquer ambiente, mesmo em meio aos desafios e exigências do mundo moderno.

Papa Francisco também destacou o exemplo de Pier Giorgio, especialmente durante encontros com jovens. Em várias ocasiões, ele ressaltou como sua vida é um testemunho de que a verdadeira felicidade vem do seguimento de Cristo, do serviço aos pobres e da dedicação à oração e à Eucaristia. Em 2024, Papa Francisco anunciou a canonização de Pier Giorgio, marcando mais um reconhecimento de sua importância para a Igreja como modelo de santidade.

Pier Giorgio é chamado “o das oito Bem-aventuranças” porque viveu cada uma delas com autenticidade. Foi pobre de espírito, colocando sua confiança em Deus; foi misericordioso, ajudando os necessitados; foi puro de coração, sempre voltado para a vontade divina; e foi um pacificador, buscando construir um mundo mais justo. Sua vida, mesmo breve, foi um eco do Evangelho, inspirando gerações a seguir o caminho das Bem-aventuranças e a buscar uma vida de santidade e alegria cristã.

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Túmulo do jovem Pier Giorgio Frassati na Catedral de Turim.

Pier Giorgio Frassati é canonizado pelo Papa Leão XIV

Pier Giorgio é patrono das confrarias, dos jovens da Ação Católica e, no Estado da Cidade do Vaticano, foi declarado patrono do Grupo de Alunos da Associação Santos Pedro e Paulo, anteriormente a Guarda Palatina de Honra de Sua Santidade.

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Em 2015, por ocasião dos 25 anos de sua beatificação, as arquidioceses de Turim e Cracóvia decidiram transferir temporariamente os restos mortais do beato durante o verão do ano seguinte, em conjunto com a Jornada Mundial da Juventude de 2016. Assim, em julho de 2016, o corpo de Pier Giorgio Frassati foi transportado por 1500 km de Turim para a Basílica da Santíssima Trindade, convento dos frades dominicanos na cidade polonesa. Durante o evento, milhares de jovens de todo o mundo puderam conhecer a história do beato, tão querido por João Paulo II.

Em 26 de abril de 2024, durante um momento de oração na XVIII Assembleia Nacional da Ação Católica, o cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, anunciou que o beato Frassati será canonizado “no próximo Ano Jubilar”, ou seja, em 2025.

No dia 20 de novembro de 2024, durante a audiência geral, o papa Francisco anunciou que o beato Pier Giorgio será canonizado em 3 de agosto, em Roma, no encerramento do Jubileu dos Jovens, durante o Jubileu de 2025. Em 25 de novembro, o papa Francisco autorizou a promulgação do decreto correspondente.

Após o falecimento do Papa Francisco e eleição Papa Leão, foi definida uma nova data para a canonização de Pier Giorgio Frassati: 7 de setembro de 2025, mesma ocasião em que Carlo Acutis também será elevado à honra dos altares.

Informações de Arautos do Evangelho e Minha Biblioteca Católica